AGOSTINHO DA SILVA NA ESCOLA – por Clara Castilho

 

Opondo-se a uma cultura erudita, Agostinho da Silva considerava que a “cultura” é, ante do mais, “comer direito, vestir decente, habitar seguro” e que estas eram as condições necessárias para se poder estar disponível para outras actividades.

 

Com estas condições asseguradas, a escola poderia então deixar de ser um modelados de soldados, para ser um libertador de poetas.

 

Gostava de ir às escolas falar com os alunos, para sacudir, para provocar, para que as crianças vissem que estão a entrar num mundo para o qual teriam que encontrar uma solução. Queria ensinar, mas não modelar gente.

 

 

 

Deixava a todos a mensagem de que deveriam acreditar nas suas próprias capacidades, serem criativos e pôr em dúvida as certezas transmitidas.

 

Perante este homem tão carismático, muitas crianças, ainda muito pequenas, pensaram que ele era o Pestalozzi, ou que tinha conhecido Camões, ou, até, que era o dono do Castelo de Almourol (onde uma vez acompanhou as crianças da Casa da Praia numa “conquista” do castelo aos mouros…)

 

 

 

 Foto Clara Castilho

 

Em muitas das suas ideias, comungava com o seu amigo João dos Santos. Tinham em comum a intuição de que, nos professores e educadores é mais importante a sinceridade, a dedicação e as qualidades humanas do que o saber pedagógico. Foi um privilégio poder ouvi-los conversar, ver o prazer que sentiam em brincar com as ideias, pôr em dúvida as certezas, em gozar as pequenas coisas da vida. Disse Agostinho da Silva que João dos Santos lhe mostrara “como amor e humor são dois bons anjos da guarda”.

 

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