UM CAFÉ NA INTERNET – Cantiga de escárnio, de Afonso X, rei de Leão e Castela

Um café na Internet

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

      O que foi passar a serra

e nom quis servir a terra

c’ora entra ant’a guerra,

    que faroneja ?

Pois el agora tam muito erra,

     maldito seja !

 

     O que levou os dinheiros

e nom trouxe os cavaleiros,

e por nom ir nos primeiros,

     que faroneja ?

Pois que veo com os prostumeiros

     maldito seja !

 

     O que filhou gram soldada

e nunca fez cavalgada,

e por nom ir a Graada

     que faroneja ?

Se é ric’omem ou á mesnada,

     maldito seja !

 

     O que meteu na taleiga

pouc’aver e muita meiga,

e por nom entrar na Veiga,

     que faroneja ?

Pois chus mol’é que manteiga,

     Maldito seja !

 

Esta cantiga, composta em galaico-português pelo Rei Sábio, figura no Cancioneiro da Vaticana, e no da Biblioteca  Nacional. Fui buscá-la a Cantigas de Escárnio e Maldizer dos Trovadores Galego-Portugueses, de Fernando Venâncio Peixoto da Fonseca, edição da Livraria Clássica Editora, Lisboa, 1961.

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