Um café na Internet
O que foi passar a serra
e nom quis servir a terra
c’ora entra ant’a guerra,
que faroneja ?
Pois el agora tam muito erra,
maldito seja !
O que levou os dinheiros
e nom trouxe os cavaleiros,
e por nom ir nos primeiros,
que faroneja ?
Pois que veo com os prostumeiros
maldito seja !
O que filhou gram soldada
e nunca fez cavalgada,
e por nom ir a Graada
que faroneja ?
Se é ric’omem ou á mesnada,
maldito seja !
O que meteu na taleiga
pouc’aver e muita meiga,
e por nom entrar na Veiga,
que faroneja ?
Pois chus mol’é que manteiga,
Maldito seja !
Esta cantiga, composta em galaico-português pelo Rei Sábio, figura no Cancioneiro da Vaticana, e no da Biblioteca Nacional. Fui buscá-la a Cantigas de Escárnio e Maldizer dos Trovadores Galego-Portugueses, de Fernando Venâncio Peixoto da Fonseca, edição da Livraria Clássica Editora, Lisboa, 1961.

