Um café na Internet
(1928 – 2007)
Por que pairas?
Por que insistes
em espalhar na minha vida
ilusões de claridade?
Por que pairas se deixaste
que te prendessem terrenas
falsas tranquilidades?
Por que negaste o que eras ─
nuvem íntegra, real,
sobre as mentiras do mundo?
Às vezes cantas em tudo.
Mas é tão triste e tão tarde!
Meu amor, por que vieste?
Nunca tivera sabido
como se nasce e se morre
de repente ao mesmo tempo
para sempre, ó arrastada
humana deusa frustrada,
água irmã da minha sede,
luz de toda a claridade
que só em ti neste mundo
para mim era verdade!
Fui buscar este poema às Líricas Portuguesas, 3.ª série, Portugália Editora, 1958, selecção, prefácio e notas de Jorge de Sena. O retrato será de Rui Filipe (não consegui apurar quem seja) e data de 1962. Agradeço a todos os que possibilitaram que o encontrasse na Internet.



Belíssima escolhaSaudações