Há entre os argonautas muitos admiradores de Eduardo Galeano.
Ora vejam e ouçam este vídeo:
Impedir a guerra – por Augusta Clara
Quando a palavra guerra nos vier à cabeça, é urgente pôr em acção na nossa mente duas verdades insofismáveis:
– a guerra é a acção em que a estupidez humana é elevada à sua mais alta potência;
– uma guerra só serve para enriquecer alguns grupos sociais, nunca para acabar com as desigualdades.
Isto porque há quem afirme a necessidade de guerras quando grandes desequilíbrios se verificam nas sociedades humanas. Mas não é verdade. Nunca nenhuma guerra serviu de fio de prumo à humanidade. Mudam-se as configurações geopolíticas e acaba-se com multidões de vidas jovens que mais vantajosamente, de outra maneira, contribuiriam para mudar os rumos do planeta. Não fora a ganância, evidentemente.
Ninguém tem que obedecer aos senhores da guerra. Deve ser esta a nossa palavra de ordem como cidadãos do mundo sem interesses a defender senão as vidas dos seus filhos e uma sociedade baseada nos genuínos valores, aqueles que sempre considerámos tornarem-nos diferentes de todos os animais das outras espécies.
Mas seremos?
Fomos quando consentimos nas Primeira e Segunda Guerras Mundiais, as de mais larga escala do século que ainda passou há tão pouco tempo?
Quando não travámos os levianos e criminosos generais que se propunham resolver um conflito em poucos meses e lançaram numa horrorosa chacina, em trincheiras de inferno, toda uma geração de jovens na denominada Grande Guerra, a tal que terminaria pelo Natal, mas se prolongou por quatro anos, de 1914 a 1918?
Quando, nós, os europeus, deixámos chegar Hitler ao poder, com todas as consequências que isso teve, e, perante a Guerra Civil de Espanha, para não o hostilizarmos, tomámos partido pela ditadura, em vez de apoiarmos as forças de libertação?
Falo de nós, os homens e mulheres de todo o mundo, não de nós os portugueses. É que só é possível impedir o eclodir das guerras com um grande empenhamento das consciências a nível mundial.
Actualmente, voltamos a viver esse risco. Muitas campainhas já tocam pelo mundo fora mas acho que ainda não lhes demos a atenção devida.
A guerra pode não vir já aí, mas a mobilização contra ela não se faz de um dia para o outro.
É verdade que não podemos deixar de atender às decisões nacionais porque há muita gente que com elas sofre. Mas é imperativo lançarem-se, simultaneamente, os olhos para mais longe, para onde o mal germina. E, enquanto é tempo, tudo fazermos – todos e cada um de nós – para criarmos um movimento global anti-guerra.
Michel Chossudovsky, num seu artigo recente, afirmava a convicção da iminência de um terceiro conflito mundial e não se limitava a enunciar as razões para tal. Reflectia, igualmente, sobre aquilo que, com determinação, temos que empreender para o evitar, o abortar.
Dizia ele, entre outras coisas, que é necessário denunciar as grandes mentiras que nos contam, fomentar a discordância, estender o movimento anti-guerra às estruturas estatais e militares e recusar-se a combater.
Perante isto, parece-me que não basta continuarmos a reflectir sobre a crise financeira mundial provocada pelas grandes burlas recentemente desvendadas e sobre a consequente crise económica que arrasta milhares para a pobreza. Adicionemos à nossa capacidade intelectual de entendimento dos factos uma componente de mobilização no sentido do despertar de consciências para a prevenção de um terceiro conflito mundial cuja sombra aponta no horizonte.
Com todo o armamento nuclear de que vários países dispõem actualmente, qualquer comparação com os anteriores não tem expressão.
Quem disser que a solução não está nas nossas mãos só terá a opção de se – de nos – render à barbárie.

E terminamos com uma nota de humor. Na voz do nosso querido amigo Aristides, vamos ouvir «O galinho da Madeira».
A quem se estará ele a referir?


Belo, claro e límpido texto