Alguém a dizer com muito mais rigor e competência o que muitos de nós andamos, desde há quase um ano, por aqui a afirmar. Por Júlio Marques Mota

 

Alguém a dizer com muito mais rigor e competência o que muitos de nós andamos, desde há quase um ano, por aqui a afirmar. Alguém a demonstrar que se um homem, uma Comissão, devem urgentemente caír, chama-se Durão Barroso, chama-se o seu grupo de Comissários, a Comissão Europeia.

 

 

 

 

 

 

 

 

Um texto da eurodeputada Sylvie Goulard aqui vos deixo.

 

Júlio Marques Mota

 

 

Por que é que Durão Barroso deve partir?

 

Eurointelligence, Sylvie Goulard

 

22 de Setembro de 2011

 

 

 

A fim de sair da crise do euro, Sylvie Goulard, membro da Comissão das Finanças do Parlamento Europeu defende uma União reforçada. O único meio de reencontrar a confiança dos investidores.


A crise das dívidas soberanas está a tornar-se uma crise de confiança na Europa. Os governos europeus bem podem em vão gastar milhares de milhões para apoiar os Estados em extrema dificuldade, em risco de incumprimento, que a situação continua a agravar-se. E esta agravar-se-á ainda mais se estes se obstinam a negar que o euro veio coroar décadas de construção comunitária fundada sobre instituições originais. Em vez de se voltaram para os espaços nacionais, os nossos líderes deveriam ousar apostar, enfim, sobre o que nos une; é necessário voltar a dar à Comissão um presidente forte, apoiar-se sobre o Parlamento Europeu, fixar um horizonte comum.


Desde 1950, a Comissão Europeia encarna a unidade. Apesar da dedicação de vários dos Comissários, esta hoje está em pleno risco de sufocar. Não é contudo uma fatalidade. Se Angela Merkel e Nicolas Sarkozy cessassem de fingir que estão a atribuir ao Presidente Durão Barroso uma confiança que já lhe retiraram há muito tempo, um novo ponto de partida para a instituição seria possível. É espantoso que esta opção não tenha sido encarada. Nós precisamos menos de 17 “regras de ouro” nacionais do que de uma mão de aço, imparcial, para fazer respeitar os compromissos já tomados por todos os Estados-Membros. Um presidente da Comissão impregnado da cultura da estabilidade que inspirou a criação do euro e da independência de espírito necessária para possibilitar o crescimento seria bem mais credível.


Porque não um Alemão? O último nesta função foi Walter Hallstein, no início dos anos 1960. Colocar em marcha a Comissão seria um sinal mais eficaz e menos caro que de criar uma segunda burocracia em volta do Presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, como os nossos líderes se preparam para o fazer!


Ninguém pode também acreditar, em 2011, que as sociedades ávidas de interactividade vão aceitar que o Conselho Europeu faça à porta fechada as escolhas económicas e sociais essenciais. A unidade não pode nascer do «diktat». A unidade procede do debate público. Também é perigoso chamar “governo” às reuniões do Conselho Europeu, que, enquanto tal, não dão contas a ninguém. O abuso de linguagem não enganará nem os analistas financeiros nem as opiniões públicas. O Tribunal Constitucional alemão acaba de nos lembrar que em democracia o poder executivo deve estar sujeito ao controlo parlamentar. Ora, os parlamentos nacionais não podem, por si sós, ser os garantes da unidade. A Finlândia acaba de o provar exigindo unilateralmente garantias para ajudar a Grécia. O Parlamento Europeu eleito pelo sufrágio directo e universal tem vocação para desempenhar progressivamente este papel, em bom diálogo com os governos. Ainda é necessário que estes cumpram as suas funções, em vez contestarem as suas prerrogativas.


Por fim, temos necessidade de um calendário preciso para a unidade. É também tão desastroso deixar o horizonte no vago como levar a imaginar já para amanhã o cintilar da “Grande Noite federal”.


Ninguém nos pede para saltarmos etapas, mas deveríamos lembrar-nos de para onde vamos e como vamos. Não são os efeitos de anúncio sem sequência, as ameaças de expulsão de certos países-membros ou o desprezo pelas instâncias supranacionais que vão ajudar o euro. Se os nossos próprios governos já não acreditam mais numa comunidade de destino, porque é que os investidores estrangeiros deveriam nela continuar a acreditar.

2 Comments

  1. Não entendo muito bem o que é que esta eurodeputada nos vem propor de tão promissor para além de pôr Durão Barroso na rua, ele que já é mais um zero à esquerda do que outra coisa, e outro alemão aos comandos da Europa, segundo ela “uma mão de aço (…) para fazer respeitar os compromissos já tomados por todos os Estados-Membros”. Não chega uma? O que é que o discurso dela traz de novo aos países e povos que estão com a corda ao pescoço? Propõe que cumpram a dívida integralmente? De que unidade é que fala quando aceita com toda a naturalidade que a Europa tem dois chefes: o francês e a alemã? Esperava um discurso de quem estivesse ao lado dos povos e não da burocracia de Bruxelas. O que vai pensar quem nos lê? Fica na mesma.

  2. M’afegeixo al comentari i el subscric. No són líders salvífics el que necessitem ni podem pressuposar la capacitat de ningú en funció de la seva pertinença nacional. Cap país de la UE no té la clau per sortir de la crisi, i molt menys Alemanya, que em sembla un dels epicentres d’aquest sisme econòmic europeu que s’inscriu amb trets específics en el conjunt del sisme econòmic mundial. Alhora, però, extrec del parlament de Sylvie Goulard la necessitat de treure’s les màscares europeistes amb què els Estats membres de la UE han amagat fins ara, hipòcritament, la seva mesquina avidesa particular. La UE no pot jugar a ser un ens polític mentre actua com un lobby d’interessos econòmics. A això de l’Europa unida, o hi juguem seriosament i plenament, a fons, o estripem la baralla. El Parlament Europeu ens costa molts diners als contribuents per fer-lo servir com a residència luxosa per als que al propi país són jubilats de la política -els qui han deixat de ser útils o hi fan nosa. Però, és difícil, per no dir impossible, jugar bé la carta europea si estem tots tan enlluernats pel miratge dels Estats i si, malgrat que això vagi contra els nostres interessos, fem el joc als Estats, unes estructures de poder ideològicament arcaiques i periclitades, políticament castrades, operativament obsoletes i, pel que fa a les seves responsabilitats amb la pròpia societat, decepcionants per incompetents o descaradament negligents. No es pot tenir una Europa unida i que els Estats facin veure que aquí, de portes en dins, en termes de sobirania, no ha passat res. Perquè, si s’entesten a viure en l’engany, passaran dues coses: que a l’interior hauran d’amagar amb rigidesa la seva inoperància, i que a l’exterior -en el marc europeu- miraran sempre de fer trampa. I si passa això, tant els Estats com la Unió Europea quedaran a les mans dels qui saben moure els fils oportunament perquè tenen molt clars quins són els seus interessos, els qui saben pescar en aigües tèrboles. I en part perquè això és així, el resultat és aquesta explosió d’insolvència, d’inoperància, de descrèdit i desgast i manca d’eficàcia de les institucions -les estatalals i les supraestatals-, i alhora aquesta sacsejada de conservardurisme autoritari i integrista que es va obrint pas a Europa i que ressuscita, en els qui encara tenen viva la memòria, l’ombra d’aquella ofuscació que ja ha ennegrit el nostre món altres vegades.

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