Cesária Évora – por Carlos Loures

Faz hoje uma semana, em Paris, Cesária Évora sofreu um AVC. De acordo com as últimas notícias, embora ainda débil, o seu estado melhorou substancialmente –  “ainda está fraca mas o perigo maior já passou”, disse o seu empresário.

Cesária Évora, «a voz de Cabo Verde», a «rainha da morna», a «diva dos pés descalços», um fenómeno de popularidade mundial que só encontra paralelo em casos como os de Edith Piaff ou Amália Rodrigues, poucos dias antes, tinha anunciado a sua retirada alegando como motivo o seu estado de saúde. O AVC veio confirmar  de forma concludente o que disse aos jornalistas na capital francesa. A sua editora de discos, a Lusafrica, confirmara as declarações da cantora, informando que os compromissos assumidos para a realização de concertos nas próximas semanas, estavam cancelados.

 

Cesária nasceu há 70 anos no Mindelo (em 27 de Agosto de 1941). No dia do seu aniversário, o presidente da República visitou-a em sua casa, oferecendo-lhe um grande ramo de flores. Homenagem mais do que merecida, pois Cesária Évora constitui uma das melhores imagens do seu país.

 

O êxito bateu-lhe tarde à porta. Cantava por bares e cafés da sua cidade, tais como o mítico Café Royal. Chamavam-na das mesas e, em pé, perante os clientes que jantavam ou ceavam, desfiava o seu repertório de mornas a troco de uns escudos (o que quisessem dar). Há cerca de vinte anos, tudo mudou. Mar azul, Miss Perfumado (que vamos ouvir) e, sobretudo com Sodade, o êxito chegou e para Cesária começava uma vida diferente – descalça, fumando desvairadamente e bebendo, pisou os maiores e mais prestigiados palcos do mundo – da China ao Brasil, da Austrália a França ou aos Estados Unidos… Mais de seis milhões de discos vendidos, duetos com grandes intérpretes estrangeiros.

 

Esta mulher que colocou Cabo Verde no mapa afectivo do mundo, merece um grande aplauso e, sobretudo, os melhores votos de saúde. O êxito já ninguém lho tira.

 

 

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