UM CAFÉ NA INTERNET – Perversão – VI – por Manuela Degerine

Um café na Internet


 

 

 

 

 

 

 

(Conclusão)

 

Correram mais dois anos.

 

Quando saíra de Bécon, vira-me num liceu monstruoso, optei por deixar a “Éducation Nationale”. Passei a viver a maior parte do tempo em Lisboa mas, num dos regressos a Paris, encontrei uma colega que permanecia em Bécon. Após a lista dos reformados, divorciados e até falecidos, interroguei:

 

 – Tens notícias de Amiel Le Guioux?

 

– Todos os dias.

 

– Esteve preso, não esteve?… Ela deu uma gargalhada.

 

 

 – O Amiel?! Que história é essa?…

 

– Há cerca de dois anos, encontrei o Jean-Baptiste. Eles eram amigos… O Jean-Baptiste contou-me uma história de prisão e cartas obscenas…

 

 – O Jean-Baptiste?… Boa… Estava bêbedo ou a gozar contigo! O Amiel casou-se com uma espanhola, não sei se ainda andavas por lá, é pai de uma menina com quatro anos e de um rapagão com cinco…

 

Em Julho alugámos com os Le Guioux uma casa na Normandia. Juntámos a miudagem toda, os dele, os meus, os dos vizinhos: foi uma festa!

 

 (Fim, talvez.)

 

Ilustração: The Fireside Angel, Max Ernst, 1937

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