Um café na Internet
(Conclusão)
Correram mais dois anos.
Quando saíra de Bécon, vira-me num liceu monstruoso, optei por deixar a “Éducation Nationale”. Passei a viver a maior parte do tempo em Lisboa mas, num dos regressos a Paris, encontrei uma colega que permanecia em Bécon. Após a lista dos reformados, divorciados e até falecidos, interroguei:
– Tens notícias de Amiel Le Guioux?
– Todos os dias.
– Esteve preso, não esteve?… Ela deu uma gargalhada.
– O Amiel?! Que história é essa?…
– Há cerca de dois anos, encontrei o Jean-Baptiste. Eles eram amigos… O Jean-Baptiste contou-me uma história de prisão e cartas obscenas…
– O Jean-Baptiste?… Boa… Estava bêbedo ou a gozar contigo! O Amiel casou-se com uma espanhola, não sei se ainda andavas por lá, é pai de uma menina com quatro anos e de um rapagão com cinco…
Em Julho alugámos com os Le Guioux uma casa na Normandia. Juntámos a miudagem toda, os dele, os meus, os dos vizinhos: foi uma festa!
(Fim, talvez.)
Ilustração: The Fireside Angel, Max Ernst, 1937


