Diário de bordo de 5 de Outubro de 2011


 

 

101 anos de República.

 

Há monárquicos que continuam, a considerar este período como um interregno. Não podemos, nem devemos, impedir as pessoas de sonhar. Outros invocam a supremacia dos 767 anos do seu regime. Nada a fazer quanto a isso – é, de facto, mais tempo. Porém, quando muitos dizem que República não é a que querem, vir acenar com a Monarquia é como para quem se queixa das limitações do software de um computador, lhe digam que uma máquina de escrever Remington, modelo de 1873, é a solução.

 

A Monarquia não soluciona nada e faz-nos correr o risco de termos como chefe de Estado um atrasado mental só porque era o primeiro na linha sucessória. Sabemos que isso pode acontecer com um presidente da República, mas a esse podemos sempre não o reeleger. Como é possível, no século XXI, aceitar-se que há uma família «ungida por Deus» com o direito, simbólico ou não, de governar milhões de «súbditos»?

 

Vivemos num mundo de espectáculo e de mediatismo – os reis e suas famílias são como futebolistas, cantores rock ou actores de telenovela, gente que alimenta essa apetência das opiniões públicas mal formadas e pior informadas. Mas convenhamos que é ridículo.

 

A nossa República, com toda a sua modéstia e com todas as suas contradições, apresenta-nos no percurso dos seus 101 anos, a par de gente de triste memória e de períodos lamentáveis, vultos de grande elevação moral e cívica e momentos de exaltação patriótica, como foram o 25 de Abril de 1974 e o 5 de Outubro de 1910.

 

Não temos de que nos envergonhar.

1 Comment

  1. Muitos lutaram para aqui chegarmos e apesar de não resignada, Portugal é a placenta do meu ser.Um bom feriado para todos os argonautas e um beijinhopara o Carlos Loures

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