Diário de bordo de 7-10-2011


 

O Acordo Ortográfico está a gerar uma saudável polémica entre colaboradores do nosso blogue.

 

 A Viagem dos Argonautas é de todos os viajantes e, portanto, não existe sobre o Acordo uma posição do blogue.

 

É, no entanto, curioso que os intelectuais galegos, os reintegracionistas, tenham aceite o Acordo. Foi a Galiza o berço deste idioma que em Portugal se robusteceu, se transformou em língua de cultura e se espalhou por todo o planeta, sendo hoje falado por mais de duzentos milhões de pessoas. Pois os galegos foram dos primeiros a adoptar o Acordo. Carlos Durão, explicou porquê.

 

Diríamos, sem desvalorizar (ou valorizar) uma controvérsia tão acesa, que há problemas maiores a resolver do que estabelecer uma «unidade ortográfica». Mia Couto, numa entrevista que pensamos publicar, não deixa de referir esse aspecto, afirmando não ser um militante contra o acordo, diz: Não me reconheci em algumas da razões que foram invocadas para chegar a este acordo, como por exemplo que este acordo facilitaria um melhor entendimento entre a língua. Sempre li livros do Brasil e com o maior prazer, pelo facto de eles terem uma grafia ligeiramente diferente (…). Acho inclusivamente que há uma diferença na grafia que só traz valor. Mas não faço guerra ao acordo. As nossas guerras são outras, é perceber porque é que nós, países de língua portuguesa como Portugal ou Moçambique, estamos tão distantes do Brasil, (…) Por que razão é que um filme português no Brasil tem de ser legendado. Porque é que quando eu chego ao Brasil e digo que sou de Moçambique, ninguém sabe onde é ou o que é Moçambique».

 

Pergunta retórica:

 

 – Será que o Acordo vai resolver algum destes problemas?

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