OS HOMENS DO REI -37 – por José Brandão

Francisco de Almeida (1450-1510)

 

 

 

D. Francisco de Almeida era de uma das mais nobres famílias do reino, filho de D. Lopo de Almeida, 1.º Conde de Abrantes, e de D. Beatriz da Silva, dama da Corte, sucessivamente camarista das rainhas D. Leonor, viúva de D. Duarte, e D. Isabel, mulher de D. Afonso V.

 

Nascido em Lisboa, cerca de 1450 foi criado, como de regra, desde muito novo, na corte de D. Afonso V, em cuja aula de pajens fez a sua educação cortesã e militar, e se instruiu em cosmografia, astronomia náutica e tudo quanto interessava aos moços fidalgos das melhores famílias. Pelo seu espírito esclarecido e ânimo de cavaleiro, desde logo adquiriu grande prestígio na corte, sobretudo por ter acompanhado, aos vinte e seis anos, seu pai na campanha de D. Afonso V contra Castela, em 1475-1476, tendo-se batido com denodo na batalha de Toro, em que sei pai, comandante da guarda avançada, se distinguiu também pelo seu valor.

 

Depois dessa malograda campanha de Castela, acompanhou o rei, em seu séquito, à malfadada viagem a França, para solicitar do astucioso Luís XI uma falhada aliança ofensiva contra os Reis Católicos. Em França se demorou todo o ano de 1478, regressando ao Reino esse ano com o velho monarca, tão desiludido como humilhado. Feitas entretanto pazes com Castela pelo Tratado das Alcáçovas, de iniciativa do príncipe real D. João, regente do Reino na ausência de seu pai em França, logo que em 1481 lhe sucedeu no trono, manteve-o ao seu serviço na corte, como um dos grandes fidalgos da sua confiança. Após a descoberta do caminho marítimo para a Índia em 1498 por Vasco da Gama e após algumas viagens de reconhecimento do Continente Asiático, D. Manuel I concluiu que o efectivo domínio dos mares e do comércio do Oriente, só poderia verificar-se através da presença de uma autoridade em regime de permanência.

 

É neste contexto que a escolha de D. Manuel recai em D. Francisco de Almeida, como sendo a pessoa que lhe inspira mais confiança para deter os poderes semelhantes aos do rei. Em 1505 foi enviado para a Índia por D. Manuel I na qualidade de vice-rei, com todos os poderes para que pudesse impor o domínio português no território. D. Francisco de Almeida seguiu como política conquistar praças e erguer fortalezas que assegurassem a presença e o domínio portugueses.

 

Empossado do cargo de vice-rei da Índia, parte de Lisboa a 25 de Março de 1505. A sua frota ia munida de um forte dispositivo bélico, porque já estava interiorizado que, só pela guerra, poderiam assegurar a posição das feitorias já estabelecidas e a expansão a novos pontos nevrálgicos. Para melhor assegurar o sucesso da missão de que tinha sido incumbido, D. Francisco de Almeida começou a sua acção na costa oriental africana. D. Manuel, no regimento que entregara a Francisco de Almeida, determinava que capturasse e fortificasse Sofala e Quíloa e que construísse uma fortaleza na ilha de Anjediva.

 

No ano seguinte, o monarca viria a acrescentar que os territórios de Ceilão e Malaca deveriam ser atacados e que o trânsito no mar Vermelho deveria ser bloqueado, a fim de impedir o avanço muçulmano. O monarca português colocava em primeiro plano o bom entendimento com os soberanos locais, mas em caso de necessidade, usar a força era imperioso. Graças ao seu valor como homem do mar e governante esclarecido e íntegro, o domínio português no Oriente torna-se completo.

 

Quando, após ser substituído no cargo de vice-rei da Índia por D. Afonso de Albuquerque, regressa a Portugal, morre numa desavença perto do Cabo da Boa Esperança.

 

A seguir: Afonso de Albuquerque

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