UM CAFÉ NA INTERNET – Mulheres que fizeram a diferença – 2 – por Clara Castilho

 Um café na Internet

 

 

 

 

 

 

 

 

(Publicado em Estrolabio)

 

II – Ana de Castro Osório – lei do divórcio e literatura infantil

 

As ideias republicanas chegaram-lhe através do casamento, com Paulino de Oliveira, membro do Partido Republicano. Com a instauração da República, colaborou com o ministro da Justiça, Afonso Costa, na elaboração da Lei do Divórcio. Com a série de contos infantis que publicou, entre 1897 e 1935, em Setúbal, em fascículos, passou a ser considerada a criadora da literatura infantil em Portugal.

 

Defendeu a inclusão nos livros escolares de rimas e contos, para as crianças se sentirem alegres e criarem um mundo imaginário. Traduziu vários contos de autores estrangeiros de entre eles, Irmãos Grimm e Hans Christian Andersen. Seus pais apoiaram as actividades politicas e sociais da filha, tendo a sua mãe ajudado na publicação de revistas e nas associações feministas. As suas obras foram traduzidas para espanhol, francês e inglês.

 

Foi membro da obediência maçónica Grande Oriente Lusitano e da Ordem Maçónica Mista Internacional “Le Droit Humain” – O Direito Humano. Ana de Castro Osório ocupou o lugar de subinspectora do Trabalho Feminino. Publicou os folhetos “A Bem da Pátria”, “Festas infantis”, “Crianças e Mulheres”, e, como feminista publicou “A Mulheres Portuguesas”, revista mensal educativa que foi considerada o verdadeiro Manifesto Feminista. Promoveu o associativismo feminista com o “Grupo Português de Estudos Feministas” em 1907, a “Liga Republicana das Mulheres Portuguesas” em 1908, sendo esta última a primeira verdadeira associação feminista em 1909. Juntamente com Afonso Costa elaborou a lei do divórcio, dedicando a esta causa o livro “A mulher no Casamento e no divórcio”. Acompanhou seu marido a São Paulo ( 1911-1914), onde exerceu a função de cônsul de Portugal e onde ficou até enviuvar em 1914.

 

Nesse pais,  Ana de Castro Osório foi professora, sendo alguns dos seus livros adoptados nas escolas brasileiras. Em 1915 o Congresso Municipalista de Évora integrou-a como única mulher e delegada da Câmara Municipal de Cuba. Neste congresso falou de “A Mulher na Agricultura, nas Industrias Regionais e na Administração Municipal” . Deixou centenas de artigos em jornais e colaborou com muitos periódicos. A sua colecção de cartas, folhetos ou livros fazem parte do Arquivo de Cultura Contemporânea da Biblioteca Nacional:

 

http://acpc.bn.pt/colecoes_autores/n12_osorio_castro_familia.html.

 

Atribuíram-lhe condecorações da Ordem de Santiago e da ordem de Mérito Agrícola e Industrial, mas não aceitou ser condecorada com a Ordem de Santiago. Após falecer, em 1935 foi publicado o seu último trabalho “Contos, Fábulas e Exemplos da Tradição Popular Portuguesa”.

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