por Rui Oliveira
1. Na Terça 18 de Outubro e no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 19h, o pianista russo Arcadi Volodos, “intérprete de profunda e eloquente musicalidade” para quem “interpretar é mais ouvir do que tocar” tem no seu programa (incluido na homenagem ao duplo centenário de Liszt) :
Franz Schubert Sonata nº 16, D. 784
Johannes Brahms Três Intermezzi, op. 117
Franz Liszt Sonata em Si menor
Ouçamo-lo no primeiro tema de uma das peças do concerto :
Tocando o primeiro Intermezzo de Johannes Brahms
e agora numa sonata de Liszt ( a nossa homenagem…)
2. Também o Centro Cultural de Belém não quer deixar de assinalar o “exacto dia do nascimento de Franz (em húngaro Ferenc) Liszt” realizando a 22 de Outubro (Sábado), às 21h no Grande Auditório, um concerto onde se executarão dois dos concertos escritos por Liszt para si próprio como intérprete. Será aqui executante o pianista uzbeque Edgar Nebolsin, primeiro Prémio no Concurso Internacional de Piano Sviatoslav Richter (2005) que terá consigo a Orquestra Metropolitana de Lisboa (direcção musical de Jaime Martín). Do programa constam :
Anton Bruckner Três peças para orquestra
Franz Liszt Concerto para piano nº 1, S.124
Richard Wagner Idílio de Siegfried
Franz Liszt Concerto para piano nº 2, S.125
Num registo da Naxos, Edgar Nebolsin toca com a Royal Liverpool Philarmonic Orchestra
(dir. Vasily Petrenko) um andamento do Concerto para Piano nº 2 de F.Liszt
3 a. Na Segunda 17 de Outubro, às 19h na Fundação Gulbenkian (Grande Auditório), o Quarteto Borodin (ver Pentacórdio anterior) conclui a tarefa de vulto de executar integralmente os Quartetos de Corda de Dmitri Chostakovitch, com a particularidade inabitual de o próprio compositor, amigo do violoncelista Valentin Berlinski e membro fundador do Quarteto, lhe ter transmitido “conselhos musicais” quanto à interpretação das suas peças. Ouvir-se-ão pois :
Quarteto para Cordas nº 14, op. 142
Quarteto para Cordas nº 13, op. 138
Quarteto para Cordas nº 15, op. 144
Aqui o Quarteto Borodin toca Tchaikovsky Quarteto nº.1 in Ré
(segundo andamento Andante cantabile)
3 b. Também na Fundação Gulbenkian e ainda em clima de Outono Russo, na Quinta 20 de Outubro (21h) e na Sexta 21 de Outubro (19h), a Orquestra Gulbenkian dirigida por Lawrence Foster colabora com outro pianista russo, Alexei Volodin, para o segundo programa intitulado Últimas Sinfonias de Tchaikovsky. Recordando que está próxima a colaboração de ambos, pianista e Orquestra, na integral dos Quartetos de Beethoven, o programa escolhido para este concerto foi :
Mikhail Glinka Capriccio Brillante sobre a Jota aragonesa
Sergei Prokofiev Concerto para Piano e Orquestra nº 5, op. 55
Piotr Ilitch Tchaikovsky Sinfonia nº 5, op. 64
Alexei Volodin toca aqui com a Orquestra Sinfónica Lahti (Finlândia,dir.Okko Kamu)
um outro Concerto de Prokofiev, o nº3
4. De 20 (Quinta) a 30 de Outubro realiza-se o doclisboa 2011 – IX Festival Internacional de Cinema em diversas salas como a Culturgest, os cinemas São Jorge e Londres, a Cinemateca Portuguesa e o Teatro do Bairro, o qual, como é sabido, “… pretende incentivar a criação e a descoberta de novos cineastas, … e ter um olhar orientado para o futuro do cinema documental. No festival estão seleccionadas dezassete primeiras obras, quatro das quais fazem parte da Competição Portuguesa – composta por seis longas e médias metragens. (ver programação em
http://www.doclisboa.org/2011/contents/righthighlight/13179150268702.pdf )
Uma das grandes novidades é o regresso à apresentação de um filme português na Competição Internacional – É Na Terra Não É Na Lua, de Gonçalo Tocha, uma obra de relevo sobre os habitantes da ilha do Corvo. O filme irá competir, entre muitos outros, com Vol Spécial, de Fernand Melgar, Territoire Perdu, de Pierre-Yves Vandeweerd, Sonnensystem, de Thomas Heise e Tahrir, de Stefano Savona.
Na secção Investigações mostram-se filmes com temas tão importantes como Guantánamo − You Don’t Like the Truth – 4 Days inside Guantánamo, de Luc Côté e Patricio Henríquez, a situação dos palestinianos em Israel − Rechokim, de Ruthie Shatz e Adi Barash e a história de um potencial candidato à presidência dos Estados Unidos envolvido num escândalo sexual − Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer, de Alex Gibney.
Em ano particularmente rico, são apresentadas, numa secção já conhecida Riscos, obras singulares como Aterro do Flamengo, de Alessandra Bergamaschi, um filme descoberto no Festival “É Tudo Verdade”, no Brasil, e O Nosso Homem, de Pedro Costa.
Na secção Heartbeat visitam-se todos os géneros musicais, do hip-hop à música clássica, passando pelo jazz, pop e punk. Homenageia-se Richard Leacock em Monterey Pop e Thomaz Farkas em Pixinguinha, ambos cineastas falecidos este ano.”
Durante o festival, os realizadores presentes nas sessões estarão disponíveis para debates e encontros com o público – Frederick Wiseman, Ross McElwee, Fernand Melgar, Thomas Heise e muitos outros convidados.
Há ainda Retrospectivas de Jean Rouch (na Cinemateca Portuguesa, com filmes raríssimos como Baby Ghana (1957), La Folie Ordinaire d’Une Fille de Cham
e Le Foot Girafe ou L’Alternative), dos Movimentos de Libertação (selecção muito importante e original do cinema das guerras de independência, da qual constam Festival Panafricain d’Alger, de William Klein e Behind the Lines, de Margaret Dickinson) e de Harun Farocki (mostra muito completa da obra do cineasta que «faz filmes com imagens que não eram destinadas a ser públicas, como as de encarceramento em Gefängnisbilder, numa “reflexão fundamental sobre a sociedade de controle”»).
5. No Pequeno Auditório do CCB, na Quarta 19 de Outubro, às 21h, actua Carlos Bica & Azul, um trio em que o conhecido contrabaixista interage com Frank Möbus guitarra eléctrica e Jim Black bateria e percussão.
Desde há algum tempo radicado em Berlim, o conhecido músico já de renome internacional, irá, depois da edição de quatro álbuns − «Azul» (1996), «Twist» (1999), «Look what they have done to my song» (2003) e «Believer» (2006) −, divulgar o seu quinto projecto Azul “Things About” o qual, de acordo com a sua editora Clean Feed Records “… é um brilhante novo passo de um projecto singular iniciado em 1996. E singular devido à pouco usual mistura de elementos que, mais uma vez, encontramos em “Things About”: indie jazz alimentado pela energia e pela inquietude pulsativa do rock, com o formato da canção vindo da pop e a lírica e melancólica emotividade da folk portuguesa “.
Cordas sobresselentes
Nesta semana, relativamente parca de eventos de impacto visual ou auditivo, chamamos a atenção para a existência, em vários pontos da cidade, de locais onde se discutem, para uma audiência de interessados, aspectos suficientemente diversos e por intervenientes credíveis de campos múltiplos das ciências e das artes – pelo que valerá a pena mencionar os previsivelmente mais atractivos. Assim :
Conferências e debates
A Revisitação da Querela Modernidade / Pós-Modernidade será o tema (e o objecto do lançamento de um livro) dum ciclo de Conferências que a 17 Outubro (Segunda) das 14h30 às 19h o Instut Français du Portugal promove no seu Auditório.
Os temas e os oradores convidados são : Le Nouveau et l’Inédit por Michel Guérin, Revisitação dos «Inacabamentos» da Modernidade em Habermas por José Quaresma, Vanguarda e Pós-modernidade: do Tempo de Ruptura à Ruptura dos Tempos por Fernando Rosa Dias, A Desintegração dos Fins por João Urbano e O Sujeito Moderno à Luz de uma Racionalização Comunicacional da Experiência por João Pissarra Esteves.
Não gosto de ministros, secretários, chefes de gabinete, vereadores, assessores, directores-gerais e em geral é como Jorge Silva Melo intitula a sua penúltima palestra do ciclo “Não gosto” a realizar Segunda 17 de Outubro, às 18h30, no Grande Auditório da Culturgest onde divagará e justificará porque desgosta “… dos ministros, directores-gerais sempre nomeados que nem Sísifos e a refazer leis que nem Penélope eliminando pretendentes, … Não digo das pessoas, até há de quem gosto e gostarei : é das funções, do tempo que perdem, do tempo que fazem perder, do mundo que tapam…”
A Química é quem mais ordena é o título da conferência que Jorge Calado (prof. IST) profere na Fundação Gulbenkian (Auditório 2) Quarta 19 de Outubro, às 18h, dentro do ciclo “Uma Questão de Química”. Resume o orador “… A química quer saber de que é que são feitas as coisas, e o que acontece quando pomos as coisas em contacto umas com as outras (para fazer ainda outras)… Dalton e Mendeleev puseram a química na ordem, e hoje é a química quem mais ordena. Pelo meio, houve várias revoluções… “ No fim há sempre debate.
O Património do Museu da Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa é a palestra dos “Seminários sobre o Património Científico Português” que mensalmente tem lugar no Anfiteatro Manuel Valadares nos Museus da Politécnica (História Natural/Ciência) às 17h, esta a cargo de Manuel Valente Alves na Quinta 20 de Outubro. No momento em que está em risco todo um espólio hospitalar na área do que já se designou “A Colina da Saúde”, importará debater as regras da sua preservação, mormente em época de austeridade.
A dicotomia política esquerda-direita é o tema duma mesa-redonda a ter lugar Quinta 20 de Outubro, às 10h, na Biblioteca-Museu República e Resistência (à Cidade Universitária) onde participam André Freire (ISCTE), Kats Kivistik (Univ.Tartu,Estónia), Ana Belchior (ISCTE), Robert Merrill (Univ.Minho), Maria do Céu Pires (Univ.Évora), Manuela Tavares (UMAR), Miguel Vale de Almeida (ISCTE), José Neves (FCSH-UNL), José Adelino Maltês (ISCSP-UTL), Eduardo Currito (ISCSP) e António Caselas (Univ.Évora). A entrada é livre e o tema de evidente actualidade.
O Corpo da Máquina é a palestra que Porfírio Silva (IRS-IST, UTL) no âmbito do Projecto “Perspectivas sobre o Corpo” do Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa fará a 20 de Outubro, às 18h na Faculdade de Ciências (Cidade Universitária) (sala 8.2.23). “As primeiras reflexões críticas sobre os fundamentos do programa de investigação da Inteligência Artificial clássica tiveram como foco organizador a questão do corpo, ou, melhor, o problema da ausência (ou incompreensão) do corpo naquela visão dos seres inteligentes… Contudo, no cerne do projecto continua a estar uma concepção de “corpo da máquina” que é profundamente abstracta (digital, por contraposição a analógico). Vamos olhar para certos aspectos desse empreendimento, e serão apresentadas experiências com “hardware evolutivo”, para que se possa começar a questionar o pacote de pressupostos implicados no projecto de “dar um corpo às máquinas inteligentes”.
A Imagética das Letras é pela quarta vez o tema dum Encontro na Faculdade de Letras (Anf.III) a 20 e 21 de Outubro onde se irá considerar em análise e debate, durante estes dois dias do Encontro, um esquema de painéis temáticos onde, confrontando perspectivas de análise desde a espiritual e política à económica, social, artística, lúdica e literária, importará reflectir-se sobre o modo como se tem concebido e representado o conhecimento humano, a sua preservação e cultivo, as opções da sua transmissão e utilização. (a entrada é livre nas sessões de trabalho)
O nosso futuro comum ou o Relatório Brundtland é o tema que traz a Lisboa Marina Silva, a ecologista ex-Ministra do Ambiente de Lula da Silva e 3ª classificada nas eleições brasileiras de 2010 na Sexta, 21 de Outubro, às 18h, no Auditório 2 da Fundação Gulbenkian no ciclo “Ambiente Porquê ler os Clássicos ?”. Falará sobre aquele texto da comissão da ONU presidida pela Primeira-ministra da Noruega que definiu a carta para o ambiente para as próximas décadas e será comentada por Francisco Ferreira, antigo presidente da Quercus. Aguarda-se um discurso em defesa da ética, da valorização dos recursos naturais e do desenvolvimento sustentável.
“As Eleições Presidenciais de 1951 : O Movimento Nacional Democrático e a Luta contra a Ditadura” serão tema de um colóquio a ter lugar na Bibliotec-Museu e Resistência (à Cidade Universitária) no Sábado 22 de Outubro a partir das 16h. Nesta parceria da CML com a URAP, os oradores principais serão António Areosa Feio, Maria José Ribeiro, Marília Vilaverde, Domingos Abrantes, David Pereira e Manuel Loff. Seguir-se-á debate (entrada livre).
No campo da música
A 17 de Outubro (Segunda), às 18h, no Foyer do Teatro Nacional de São Carlos ocorrerá novo concerto (de entrada livre) do ciclo A Europa de Liszt.
A 18 de Outubro (Terça), às 19h, na Casa da América Latina Georgina Hassan apresentará neste concerto na CAL, acompanhada de guitarra espanhola, cuatro venezuelano e caja, um repertório variado que reúne canções dos discos “Primeira Luna” e “Como respirar”, entre outras.
O Palácio Foz realiza, na sua Sala dos Espelhos, uma programação cultural (de entrada livre) que compreende :
− na Terça 18 de Outubro, às 18h, um recital de piano por Eugen Doga (Moldávia)
− na Quinta 20 de Outubro, às 18h30, um recital de clarinete e piano por Cristo Barrios, clarinete e Andrew West, piano (iniciativa da Embaixada de Espanha) com música de Brahms, Schumann, Poulenc e Finzi
− na Sexta 21 de Outubro, às 17h, um recital comemorativo de Liszt com o pianista italiano Fabio Falsetta tocando Sonata in Si minore, Ballata n°2 in Si minore, Consolazione n°3, Scherzo e Marcia in Re minore de Liszt e Cavatine e Valse Infernale de Robert le Diable de Meyerbeer
− no Sábado 22 de Outubro, às 18h, novo recital homenageando Franz Liszt com a pianista Teresa Palma Pereira, aluna de Tania Aschot, interpretando de Liszt Nuages Gris, La Lugubre Gondola II, Bagatelle sans Tonalité, de Bach 4 Duettos BWV 802-805, de Berio Six Encores, de Óscar da Silva Dolorosa nº 2 e o Carnaval op.9 de R. Schumann.
− no Domingo 23 de Outubro, às 16h, um concerto com o Coro de Câmara de Lisboa (dir. Teresita Gutierrez Marques) entoando Canções da Ásia (título dum seu CD recente) com músicas das Filipinas, Indonésia, Tailândia, República da Coreia, Taiwan, Malásia, Japão e Malacca (the Sound of Portuguese Malacca).
A 19 de Outubro (Quarta), às 19h, a pianista Anne Kaasa tocará no Institut Français du Portugal peças de Claude Débussy, Manuel de Falla, António Fragoso, Luiz de Freitas Branco e Isaac Albéniz.
A 22 de Outubro na Igreja de S.Jorge dos Ingleses à Estrela, às 18h, a Sinfonietta de Lisboa homenageia Liszt tocando Angelus! Prière aux Anges Gardiens e ainda de Eurico Carrapatoso Liszt but not Liszt e Das ewig – Weibliche, de Puccini risantemi e de Elgar Introduction and Allegro op.47.
Para outros públicos, lembra-se :
Na Music Box a 20 de Outubro (23h) actuam The Grasspoppers , a 21 de Outubro (23h30) Sunairway + Dear Telephone e a 22 de Outubro Health + Throes & The Shine (23h30).
No TMN ao vivo a 20 de Outubro (22h) actuam Nneka e a 21 de Outubro (22h) Dityphonics.
Na Galeria ZDB a 22 de Outubro (23h) actuam Morton Subotnick & Tony Martin.
No Ondajazz a 21 de Outubro (22h30) o palco é de Havana Way e a 22 de Outubro (22h30) Tributo a Nina Simone.
No campo do teatro
No Teatro São Luiz de 19 a 21 de Outubro, às 21h, o Teatro Oficina (Guimarães) apresenta a peça A Febre de Wallace Shawn em tradução de Jacinto Lucas Pires com encenação de Marcos Barbosa e interpretação de João Reis que vive para nós um homem da classe média nova-iorquina que viaja para um país pobre e em plena guerra civil.
No mesmo São Luiz de 20 a 22 Outubro, às 23h30, o Teatro da Rainha (Caldas da Rainha) apresenta Ella de Herbert Achternbusch com encenação de Fernando Mora Ramos e interpretação de Margarida Mauperrin e Fernando Mora Ramos. Uma história verídica, ficcionada a partir de uma memória directa do nazismo.
No Teatro da Politécnica estreia 19 de Outubro (até 19 Nov), às 19h, a peça Não se brinca com o Amor de Alfred Musset (1810-1857) com encenação de Jorge Silva Melo e interpretação de Catarina Wallenstein e Elmano Sancho, entre outros. Comédia que inverte a fórmula do cómico até então utilizada por Musset e que reflecte sobre como a felicidade de uns tem como preço a infelicidade de outros.
No Teatro Tivoli, estreia a 21 de Outubro, às 21h30, a comédia Fuga, uma peça de Jordi Galcerán em encenação de Fernando Gomes com interpretação de Maria Rueff, José Pedro Gomes, Jorge Mourato, João Maria Pinto e Sónia Aragão. Um ministro demite-se na sequência de um escândalo de corrupção que lhe destrói a carreira política e a sua mulher foge com o jornalista que revelou o caso ; eis a intriga.
Por fim, na Comuna prossegue desde 6 de Outubro até 6 de Novembro a representação do espectáculo baseado no argumento de Billy Wilder e I.A.L.Diamond O Apartamento numa concepção de Jorge Fraga, com Helder Gamboa e Mónica Garcez nos papéis de Jack Lemmon e Shirley MacLaine.






