OS HOMENS DO REI – 50 – por José Brandão

Duarte de Lemos (1540?-1616)

Duarte de Lemos, 5º senhor da Trofa, Álvaro, Pampilhosa, Jales e Alfarela, por carta de confirmação do rei D. Sebastião, de quem foi moço fidalgo e do Conselho, e a quem acompanhou a Alcácer Quibir, nasceu cerca de 1540 e faleceu em 1616 na sua Casa da Trofa, indo a sepultar no panteão da família. Duarte de Lemos que serviu à Coroa portuguesa em campanhas militares na Índia, esteve ainda no Brasil. Aqui, Vasco Fernandes Coutinho doou-lhe a ilha de Santo António onde Lemos edificou a capela de Santa Luzia e iniciou agricultura.

 

Esta é a origem da ocupação efectiva do lugar, que ficou conhecido com o nome de ilha de Duarte de Lemos, antes de ser ilha de Vitória. Duarte de Lemos e Vasco Fernandes Coutinho acabaram inimizados. Em 1540, ambos se encontravam em Lisboa, onde o donatário do Espírito Santo assinou uma escritura de doação, em favor de Duarte de Lemos, da ilha que lhe tinha concedido no Brasil. Nessa escritura, Coutinho corrigiu alguns excessos que havia antes garantido a Duarte de Lemos, quando lhe fez a doação. Não se sabe se Duarte de Lemos retornou ao Espírito Santo. Ao ser criado o governo-geral do Brasil, Lemos comandou um dos três navios da armada do primeiro governador-geral Tomé de Souza.

 

Em 1550, foi designado delegado de Tomé de Souza na capitania de Porto Seguro, onde Vasco Fernandes Coutinho esteve de passagem. Nessa ocasião, Lemos escreveu uma carta ao rei de Portugal, D. João III, intrigando o donatário do Espírito Santo, chegando a dizer que Vasco Coutinho estava propenso a passar para o serviço do rei da França. Regressado do desastre africano, foi incansável partidário do prior do Crato, de quem foi fronteiro e capitão-geral da comarca de Aveiro, e principal responsável pela sua aclamação nesta comarca. Duarte de Lemos esteve no Porto com D. António, em 1580, e após a sua derrota procurou manter o espírito de rebeldia entre as populações do Norte para que lutassem contra os espanhóis. O general vitorioso D. Sancho de Ávila escreve ao rei dizendo que Duarte de Lemos andava então no termo de Aveiro «haziendo mill vallacarias» e que no seu solar dera acolhida ao príncipe perseguido. F

 

icou célebre por, em 1582, se ter atirado ao rio, a cavalo, da ponte de Coimbra, para nem se cruzar com o rei D. Filipe II, e assim ter de lhe tirar o chapéu, nem recuar. Acabou por ser preso em Lisboa e sentenciado à morte, do que foi perdoado por intervenção da Igreja e da Câmara de Lisboa, sendo então degradado uns anos e vindo falecer à sua Casa da Trofa com cerca de 76 anos de idade. Em 1583 ainda estava preso, conforme refere o infante D. António numa carta que escreveu de Rueil ao papa Gregório XIII.

 

E já estava preso em 1582, data em que o rei D. Filipe o exclui de um indulto então proclamado. Duarte de Lemos casou com D. Maria de Távora, filha de Jorge Garcia Maldonado, fidalgo da Casa Real, feitor de Ormuz, natural de Mesão Frio (Régua), que em 1535 tirou carta de armas para Maldonado, e de sua mulher D. Isabel de Távora, irmã de Martim de Távora (de quem vêm os condes de Campo Belo). Jorge Garcia Maldonado, como se diz na carta de armas, era filho de Gonçalo Garcia Maldonado e neto de João Álvares Maldonado.

 

Sua mulher D. Isabel de Távora (que casou a 2ª vez com João Gomes de Lemos, 4º senhor da Trofa) era filha de Jerónimo de Távora, senhor de Távora, e de sua mulher D. Joana Pinto; e neta paterna de Bernardo Anes do Campo, senhor de Tamame, (Zamora), e de sua mulher D. Isabel de Távora, senhora dos direitos reais de Távora. Esta D. Isabel de Távora era filha de Pedro Lourenço de Távora, senhor de juro e herdade de Mogadouro e de S. João da Pesqueira, senhor de Távora, alcaide-mor de Miranda (1470), etc., e de sua mulher D. Inez de Souza e Alvim. Duarte de Lemos faleceu em 1616 na sua Casa da Trofa.

 

A seguir: Matias de Albuquerque

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