UM CAFÉ NA INTERNET – Cândida no Serviço Nacional de Saúde – Novas Viagens na Minha Terra– Segunda série Cap. 3 – por Manuela Degerine

 Um café na Internet

 

 


 

 

 

 

 

 

 

Não vivo na Costa do Marfim, protestei eu e, no dia seguinte às oito horas, voltei ao Centro de Saúde. A médica recusou-se a passar-me a análise.

 

– Lyme?! Sei lá o que é isso! Falaram-lhe ao menos na febre da carraça? Não falaram, não se lembraram: são uns ignorantes! A saúde neste país está uma miséria! Não a hospitalizaram porquê?!

 

Pedi que me fizesse uma guia para o Centro de Enfermagem da Penha de França. A zona onde a carraça se fixara doía-me, eu vivo sozinha, não podia ver se havia restos do ácaro na ferida e, para além disso, esta precisava de ser desinfectada. Se quer ir – vá! Não tenho que levar guia? Se for preciso, telefonem-me.

 

 – E quanto à febre da carraça? Não tomo nada?

 

– Que dia é hoje? Quarta-feira… Tire a febre todos os dias às 18 horas e no dia seguinte ao acordar. Volte cá na segunda-feira.

 

Estávamos no dia 2 de Março. Resolvi desistir desta medicina do século XIX e dirigi-me a um laboratório de análises, que paguei integralmente e onde, como por acaso, conheciam a doença de Lyme e a sua correspondente análise.

 

No Centro de Enfermagem tinham mais que fazer do que telefonar aos médicos: se não havia guia, não havia tratamento. Voltei, uma vez mais, ao Centro de Saúde. Para voltar ao Centro de Enfermagem.

 

Aprendi que, em Portugal, é necessário ter muita saúde para estar doente. Não é fácil, com cefaleias e dores no corpo, náuseas e um cansaço extremo, fazer face a tanta adversidade – nem à evidência de que a nossa vida não conta para nada.

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