O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade – 21 – por Raúl Iturra

 

 

 

Parece-me ter razão ao interpretar que a formação rabínica de Freud, ajuda a criar a sua teoria do inconsciente. Não somente a preparação para o seu Bar-Mitzav, bem como as suas leituras, mais aprofundadas, já em idade adulta, dos textos bíblicos antigos, especialmente o de Salomão Jacob, texto impossível de encontrar na Internet, por ser um documento Sefardita, isto é dos judeus de Espanha conquistados por Isabel I, a Católica de Castela, e o seu marido o Rei Fernando de Aragão, que perseguiram e mataram judeus para, como eles costumavam dizer, “limpar a raça”.

 

Os que não foram expulsos foram para a fogueira, exilados ou, simplesmente, convertidos ao cristianismo. Denominados Cristãos Novos, não podiam ter alianças com os Cristãos Antigos (que passaram a ser designados por Cristãos Velhos), trazidos desde Segóvia para purificar o Sul de Espanha retirado da dominação dos mouros e dos judeus, que até essa altura conviviam em paz. A minha fonte é dupla: por um lado, documentos datados do século XV e pela história da minha própria família, levada pelos Reis Católicos desde Segóvia (Norte de Espanha) e enobrecidos. Os Grajera Molano, o nome mais antigo pelo lado da família da nossa Senhora Mãe, passaram a ser da Corte da Rainha até à morte da derradeira Grajera Molano, Maria, avó da nossa Senhora Mãe.

 

O que interessa perceber é como um médico procura o saber milenar do seu povo, especialmente no Talmude, para construir a sua teoria de interpretação dos sonhos. Embora, durante a minha pesquisa, não conseguisse localizar o texto de Salomon Jacom Almedi[1], problema meu, importa é saber que Freud o leu e o usou na sua teoria do inconsciente. Há um outro texto antigo, judaico, também utilizado por Freud, o Tratado Berakoth[2]ou Bracoft.


[1] O texto é de 1515, de certeza, por ser Sefardita, o seu nome era falado de outra maneira, como Salomon-bem-Jacob, ou Shlomon-bem-Almeli, tenho tentado, sem sorte nenhuma, encontrar o texto Pitron Chalomot, de certeza em língua hebreia, língua que desconheço.

[2] Brachot (Hebraico: ברכות, “Bênçãos”) é o primeiro masechet (“tratado”) do Seder ou Ordem de Zeraim (“Ordem das Sementes”) da Mishná, o primeiro grande texto da Halachá ou Lei Judaica.

Aborda primeiramente as regras relacionadas com as orações de Shemá, a Amidah, o Birkat Hamazon (“Bênção Depois das Refeições”), Kidush (“Santificação” do Shabat e Festas judaicas), Havdalá (“Separação” depois do Shabat e Festas) e outras bênçãos e rezas. É o único tratado de Zeraim que tem uma Guemará tanto no Talmud Babilónico como no Talmud de Jerusalém. Texto em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tratado_Brachot_(Talmud.

Parece-me importante acrescentar: O plural de tana refere-se aos sábios rabínicos judeus cujas opiniões são gravadas na Mishná. Na história judaica, o período dos “Tanaim” é também referido como período mishnaico. Seguiu-se ao período dos Zugot (“pares”) e foi precedido pelo período dos Amoraim. A raiz tana (תנא) é o equivalente aramaico para a raiz hebraica shaná (שנה) que é também a palavra raiz de “Mishná”. O verbo shaná (שנה) significa literalmente “repetir [aquilo que se ensinou]” e é usado para indicar “aprender”. Assim, eu diria, que a fonte da psicanálise, vem do facto de saber estudar e revisar. A psicanálise é mesmo essa actividade: revisar a vida do paciente, estudada por meio da teoria de Freud, Charcot, Breuer, Jung, Klein e outros mencionados. Os mais importantes para entender as crianças são, os ainda activos, Boris Cyrulnik, Françoise Dolto, Wilfred Bion, e, com uma actividade incrível, a minha correspondente Alice Miller.

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