OS HOMENS DO REI – 59 – por José Brandão

Marquês das Minas (1644-1728)

 

Descendente duma velha família a muitos títulos ilustre, D. António Luís de Sousa, foi como general do Exército português da Quádrupla Aliança na Guerra da Sucessão de Espanha (1704-1711) um dos seus grandes chefes militares, que especialmente se distinguiu pelo espírito combativo e capacidade manobradora em difíceis situações estratégicas.

 

Nascido em 1644, era o primogénito e herdeiro de D. Francisco de Sousa, 3.º conde do Prado, depois 1.º marquês das Minas, e de sua mulher, D. Filipa, filha dos condes da Torre.

 

Começava-lhe o primogénito aos 13 anos a brilhante carreira militar durante a Guerra da Restauração, tendo estado já na defesa de Elvas em 1658 e 1659. Em 1661, com 17 anos, era capitão das guardas do seu exército.

 

Em 1663, já mestre-de-campo dum terço de infantaria em operações, que seu pai comandava como governador das Armas do Minho, comportou-se de modo a merecer o rápido acesso a general de batalha, depois de ter derrotado em 1665 um corpo de tropas espanholas numa frustrada tentativa de assalto à praça-forte de Valença do Minho.

 

Até ao termo da guerra e às pazes de 1668 se manteve na defesa dessa fronteira do Norte, em cujo governo das Armas sucedeu, no ano seguinte, a seu pai; e em 1674, tendo-lhe herdado também o título de marquês das Minas, o príncipe-regente D. Pedro promovia-o a mestre-de-campo-general.

 

Assim, aos 30 anos prosseguia uma ascensional carreira militar e política. De 1684 a 1687, foi por D. Pedro II nomeado governador e capitão-general do Brasil, donde voltou ao Reino em 1668 para participar no Conselho de Guerra e, desde 1698, presidente da Junta do Tabaco, depois do que era chamado em 1703 ao serviço efectivo do Exército como governador das Armas do Reino.

 

Nessa crítica situação inicial, começava o marquês das Minas, general da Beira, a afirmar-se, aos 60 anos, um verdadeiro cabo-de-guerra. Descendo de Almeida com o seu pequeno exército, sucessivamente recuperava, na Beira Baixa e no Alto Alentejo, todas as posições dos bourbónicos, rechaçando-os para além-fronteiras, o que lhe valeu de D. Pedro II a graça régia de lhe confiar o comando supremo das tropas aliadas em Portugal, substituindo o velho conde das Galveias, herói da Restauração, primeiramente escolhido por favoritismos da corte, mas desconhecedor das novas técnicas de guerra.

 

A entrada triunfante do marquês das Minas em Madrid aos 28 de Junho de 1706, embora signifique um feito militar glorioso, não indemnizou o país dos sacrifícios a que nos sujeitou o célebre tratado de Methuen celebrado três anos antes com a Inglaterra no intuito de a termos por nossa aliada.

 

Mas, a 26 de Abril de 1707 aconteceu a famosa batalha, que, sobretudo pelas cargas finais da cavalaria francesa, redundou em total desbarato do exército anglo-português, destroçado, em debandada, com inúmeras perdas de vidas, de prisioneiros e feridos. E mesmo em plena derrota o veterano marquês, de 63 anos, à testa da sua tropa, vencida, estropiada, soube ainda operar em perfeita ordem uma magistral retirada estratégica até Barcelona, onde embarcou para Lisboa numa esquadra anglo deixando simbolicamente na Catalunha um contingente português.

 

Reinava já em Portugal o moço rei D. João V, que teria de arcar então no Reino com as consequências da derrota dos aliados.

 

D. João V tinha já premiado o valor militar do velho marquês das Minas em Espanha elevando-o a dignitário do paço, com o cargo de estribeiro-mor da rainha D. Maria Ana. Respeitado na corte, estimado do rei, morria aos 84 anos, no seu palácio de Lisboa, em 1728.

 

A seguir: Diogo de Mendonça Corte-Real

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