A Cooperativa Alves Redol, aqui em Vila Franca de Xira, promove regularmente idas ao teatro. Estas deslocações, normalmente, destinam-se a Lisboa ou a Almada. Visam proporcionar aos cidadãos de Vila Franca de Xira o acesso ao teatro, que aqui no concelho não tem grande expressão. Existem algumas pequenas companhias (seria melhor chamar-lhes grupos) com poucos recursos, que só raramente conseguem apresentar espectáculos. Precisam de ser mais conhecidos e de ter mais apoios.
As deslocações são feitas normalmente numa das camionetas da Câmara Municipal. Deslocam-se habitualmente cerca de 40 pessoas, por vezes mais. A Cooperativa considera este programa um êxito.
Desta vez a deslocação foi ao teatro de A Barraca, o velho Cinearte, em Santos. Apeça foi D. Maria, A Louca. Foi escrita por Antônio Cunha, escritor brasileiro de Florianópolis, segundo nos informa o site de A BARRACA. É posta em palco num trabalho de Maria do Céu Guerra, que não hesito em classificar como fora de série. Mostra a velha rainha louca, já no Brasil, a contar a sua vida, desde a juventude até subir ao trono, e ser confrontada com os terríveis dilemas da governação. Vai descrevendo os sucessivos dramas que a destroçaram e a conduziram à loucura. Desde o casamento com um tio, a morte do filho mais velho com varíola, até à paixão impossível, o atentado contra o pai e o suplício dos Távoras e dos restantes inculpados. Sobe o trono e tem de decidir sobre o destino dos líderes da Inconfidência Mineira, o suplício e execução do alferes Tiradentes, o destino do Marquês. Os ecos da Revolução Francesa só agravam os seus conflitos internos. Assim desemboca na loucura.
Maria do Céu Guerra, com o seu trabalho, consegue transmitir-nos simultaneamente a dimensão humana e o lado histórico deste drama. Era bom que os portugueses o conhecessem melhor. A Maria do Céu Guerra e a Barraca deram um bom contributo ao apresentarem esta peça.
A encenação pareceu-me boa, a mim que sou apenas um amador. A solução para a Joaninha também me pareceu muito boa.
Vão ver que gostam. E muito.



