Observem como as cínicas declarações deste eurodeputado britânico deixam a descoberto o que, nas nossas costas, se anda a preparar para fazer sair da União Europeia e do euro os países pobres do Sul mantendo unidos apenas os ricos do Norte. Será que Durão Barroso, o nosso ex-primeiro ministro, fugido para presidente da Comissão Europeia por não ter conseguido governar o seu próprio país, ainda não se apercebeu do que neste momento representa (repare-se no sorriso do entrevistado quando ele é nomeado) e do que anda a defender?
Atente-se, igualmente, entre a variada argumentação deste asséptico britânico – a pressa que eles têm de desembaraçar-se dos sujos mediterrânicos! -, na habilidosa desonestidade com que instila o medo da adesão da Sérvia à UE. Este pedido foi recente e, claro que não vem nada a propósito quando se querem livrar dos que já cá estão. E, então, este “senhor” resolveu trazer à cena o perigo de recrudescimento da recente guerra nos balcãs. Desonestidade tem muita, inteligência tem pouca. Até é irónico que seja ele a afirmar que os resgates seriam derrotados se fossem aprovados pelos povos e não pelos “16 Parlamentos cheios de políticos de carreira”.
Ah, e também faz alusão à hipótese de acontecer uma revolução em Portugal. Quem nos dera a nós outro 25 de Abril, agora menos ingénuo porque, entretanto, já tivemos tempo de aprender umas coisinhas.
Julgarão estes fulanos que os povos da Europa são todos estúpidos? Talvez se enganem.
