(Conclusão)
Esperemos então pelo que se passará no próximo G20 próximo e veremos que quer a nível das taxas de câmbio quer a nível dos paraísos fiscais, quer a nível da estabilidade dos preços das matérias e dos bens alimentares , quer a nível da estabilidade dos mercados financeiros e do shadow banking, quer a nível das políticas sobre o emprego, única via para saír da crise, veremos que a montanha irá parir um rato e o desemprego continuará a aumentar. É a profunda loucura, diz-me esse meu amigo. E deixo a pergunta que me faz intacta: “Nestas condições porque é que se quer manter o euro se estamos a renunciar ao euro ??? (…) e nós deixamos aqui um recado para quando o director-geral do FEEF Klaus Regling vier de Pequim, por onde andará a pedir às autoridades chinesas autorização para as emissões de títulos do FEEF em yuans, que não se esqueça, nem ele nem todos aqueles que estarão a colocar a Europa na dependência seja de quem for, antes pelo contrário, que se lembrem bem da afirmação de Churcill a Chamberlain: “teve o direito de escolher entre a guerra e a desonra. Escolheu a desonra e terá a guerra. “
Esta política ultra perigosa que agora se desenha com esta cimeira, levará a que Europa poderá vir a ter uma montanha de dívidas em yuans (já tem 700 mil milhões de euros), e quando já tem desde há algum tempo um comércio exterior cada vez mais deficitário com a China, principal potência exportadora mundial acrescente-se. Esta via como resposta à crise poderá equivale à hipotética situação seguinte, daqui a muitos anos, muitos mais do que poderemos esperar se assim se continuar : “os senhores, a Europa, querem equilibrar o vosso comércio exterior através da apreciação da nossa moeda, o yuan, querem a depreciação do euro relativamente ao yuan, tudo bem, mas a carga da vossa dívida pública e privada, essa sobe na mesma proporção! Escolham, então.”
Adicionalmente, dada a forma como funcionam os mercados cambiais, completamente à solta, dado que com a desregulação em vigor actualmente todas as taxas de câmbio importantes são flexíveis, excepto a da China que é estabelecida, regulada, controlada, pelo Governo Chinês, este poderá fazer subir o dólar e fazer descer fortemente o euro, sobretudo nas datas de liquidação da dívida, desregulando ainda mais as já difíceis relações comerciais internacionais. Dir-me-ão que estou a exagerar mas cito aqui, de memória, Stiglitz e o seu grande livro A Grande Desilusão.., onde nos fala de uma conversa tida por Stiglitz com um importante responsável soviético, sobre o facto de que sempre que havia uma tranche de empréstimo concedida pelas Organizações de Bretton Woods à Rússia, o valor do rublo subia e a resposta do responsável soviético foi implacável: não é assim que vocês nos ensinaram que funcionam os câmbios flexíveis! Aumenta a oferta de dólares, desce o valor do dólar, sobe o valor do rublo. Não são assim, os vossos mercados! O dinheiro chegava, o rublo subia e podiam comprar mais francos suíços com os mesmos rublos, quem podia claro, que directamente iam a seguir para as contas privadas na Suíça, onde os dólares se acumulavam. Cito de memória, sublinho. Aliás, o mesmo Stiglitz ironizava, questionando-se se não seria mais barato depositarem directamente de Washington o dinheiro nas contas secretas na Suiça! Porque há-de ser aqui diferente!
Vejamos como é que um humorista suíço, creio e de nome Burki, terá visto a Europa, terá visto a cimeira e porque com esta imagem concordo pessoal e totalmente aqui me dispus a esta imagem descrever e, por isso, me dispus a este longo post escrever:
E é assim, entretanto, que os nossos empregos se desvanecem, se esfumam, é assim que os nossos défices comerciais se alargam, é assim que as nossas fábricas se encerram, é assim que a Europa se desindustrializa, é assim, que esta desindustrialização se processa , é assim que os nossos défices aumentam e por essa via é também assim que a dívida pública e a dívida externa aumentam também . E é também assim que a nossa juventude só tende a encontrar como meio de vida a situação de desemprego.
De que temos necessidade não é de uma política de submissão à China, andando-lhe a pedir a subscrição de títulos em yuans. Os americanos fazem quantitative easing, os ingleses fazem quantitative easing, os japoneses fazem o mesmo e os europeus parece que se vão vender à China!
De resto veja-se, mantém-se todo o sistema financeiro intocável, permite-se que o shadow banking atinja valores semelhantes aos que precederam a crise e a anunciar que uma outra crise é igualmente possível e de que se tem medo, como diz o The Economist, muito mais medo agora até porque descobrimos que dirigentes políticos de jeito não temos e que os Estados soberanos estão sem recursos…
Há dias, um ex-secretário de Estado francês para a Indústria em França,Lionel Stoleru, ironisava ou dramatizava, escolham o termo, nos seguintes termos quando nos falava na necessidade de proteccionismo. De que temos necessidade, em vez dessa submissão à China, é, dizia ele, é de um proteccionismo inteligente, de que temos necessidade é de uma regulação concertada das trocas entre o Ocidente e o Leste, para parar e acabar com os desequilíbrios comerciais em vigor fixando-se entre os dois grandes espaços objectivos comerciais comuns de retorno às trocas comerciais equilibradas : por exemplo, diminuir durante três anos em meio-ponto de PIB por ano os excedentes e défices comerciais, o que repartiria o esforço a fazer entre o Ocidente e Oriente. Uma outra via é também exigir às empresas chinesas que criem sucursais nos Estados Unidos e na Europa, com produção por um lado do valor acrescentado e criação de empregos. É o que fazem nos Estados Unidos várias grandes empresas indianas no domínio dos medicamentos genéricos, onde a Índia é agora número um mundial. É o que tentou fazer o governador de Califórnia nas condições postas à China para a sua participação no concurso do TGV californiano. Se a China exige às nossas empresas transferências de tecnologias, podemos muito exigir-lhes também transferências de empregos. O mundo está suspenso no futuro da Grécia e dos nossos bancos, enquanto que a falência brutal do emprego que se perfila é bem mais grave que a falência dos bancos, que, não irá existir.”
Nada disto tem a ver com a política seguida pela União Europeia. Nada, mesmo. Nesta Europa já de costas para a Democracia, e se dúvidas temos, digam-me quais foram as medidas concretas até agora executadas ou a executar pelo governo português que tenham sido anunciadas em campanha eleitoral pelo actual Primeiro-Ministro, propostas sujeitas a voto popular portanto, para que na verdade se possa dizer que estamos em Democracia, nesta Europa dos políticos falsários, a cada Estado ou a cada espaço económico deve também corresponder a sua nova moeda, a sua moeda também ela falsa, e então, aqui vos proponho como primeiros exemplares, duas novas notas, neste caso uma nota de 5 e uma de dez euros, com as quais poderão ir jantar mas, claro, um um jantar virtual. Uma oferta por post, nota por nota, até à ultima de 500 euros que vos dará o direito de irem jantar, oh delícia dos Deuses a acreditar nos Cães da minha infância, da minha velhice, em Nova Iorque, “on the third Wednesday of every month, [with] the nine members of an elite Wall Street society gather in Midtown Manhattan”, acreditando que a informação do New York Times está correcta, e entre os quais encontrará necessariamente dirigentes de JPMorgan Chase , Goldman Sachs and Morgan Stanley . Jantar de luxo, de grande luxo, portanto.
Para já, um bom almoço mas barato com estas notas de 5 euros e de 10 euros.
É certo que os índices estão em baixa como assinala a nota de dez euros, mas ainda não almoçou. Vá com estas almoçar, ganhe boa disposição e saudações argonautas, se é que o termo existe, mas se não existe também não tem problema, porque as notas também não existem.
Júlio Marques Mota



