A minha visão ilustrada e comentada da última cimeira europeia – III. Por Júlio Marques Mota

(Conclusão)

 

Esperemos então pelo  que se  passará no próximo G20 próximo e veremos que quer a nível das taxas de câmbio quer a nível dos paraísos  fiscais, quer a nível da estabilidade dos preços das matérias e dos bens alimentares , quer a nível da estabilidade dos mercados financeiros e do shadow banking, quer a nível das políticas sobre o emprego, única via para saír da crise,  veremos que a montanha irá parir um rato e o desemprego continuará a aumentar. É a profunda loucura, diz-me esse meu amigo.  E deixo a pergunta que me faz intacta: “Nestas condições porque é que se quer manter o euro se estamos a renunciar ao euro ??? (…)   e nós deixamos aqui um  recado para quando o director-geral do FEEF Klaus Regling vier de Pequim, por onde andará a pedir às autoridades chinesas  autorização para as emissões de títulos do FEEF em yuans, que não se esqueça, nem ele nem todos aqueles que estarão a colocar a Europa na dependência seja de quem for, antes pelo contrário, que se lembrem bem da afirmação de Churcill a Chamberlain: “teve  o direito de escolher entre a guerra e a desonra. Escolheu  a desonra e terá a  guerra. “

 
Esta política ultra perigosa que agora se desenha com esta cimeira, levará   a que  Europa poderá vir a ter uma montanha de dívidas em yuans  (já tem  700 mil milhões  de euros), e quando já tem desde há algum tempo um comércio exterior cada vez mais deficitário com a China, principal potência exportadora mundial acrescente-se. Esta via como resposta à crise poderá equivale   à hipotética situação  seguinte,  daqui a muitos anos, muitos mais do que poderemos esperar se assim se continuar : “os senhores, a Europa, querem equilibrar o vosso comércio exterior  através da apreciação da nossa moeda, o yuan, querem a depreciação do euro relativamente ao yuan, tudo bem, mas a carga da vossa dívida pública e privada, essa sobe na mesma proporção! Escolham, então.”  


Adicionalmente, dada a forma como funcionam os mercados cambiais, completamente à solta, dado que com a desregulação em vigor actualmente  todas as taxas de câmbio importantes  são flexíveis, excepto a da China  que é estabelecida, regulada, controlada,  pelo Governo Chinês, este poderá fazer subir o dólar  e fazer descer fortemente o euro, sobretudo nas datas de liquidação da dívida, desregulando ainda mais as já difíceis relações comerciais internacionais. Dir-me-ão que  estou a exagerar mas cito aqui, de memória, Stiglitz e o seu grande livro A Grande Desilusão.., onde nos fala de uma conversa tida por Stiglitz com um importante  responsável soviético, sobre o facto de que  sempre que havia uma tranche de empréstimo concedida pelas Organizações de Bretton  Woods à Rússia, o valor do rublo subia e a resposta do responsável  soviético  foi implacável: não é assim que vocês nos ensinaram que funcionam os câmbios flexíveis! Aumenta a oferta de dólares, desce o valor do dólar, sobe o valor do rublo. Não são  assim, os vossos mercados! O dinheiro chegava, o rublo subia e podiam comprar mais francos suíços  com os mesmos rublos, quem podia claro, que directamente iam a seguir para as contas privadas na Suíça, onde os dólares se acumulavam. Cito de memória, sublinho. Aliás, o mesmo Stiglitz ironizava, questionando-se se não seria mais barato depositarem directamente de Washington o dinheiro nas contas secretas na  Suiça! Porque há-de ser aqui diferente!


Vejamos como é que um humorista suíço, creio e de nome Burki,  terá visto a Europa, terá visto a cimeira e porque com  esta imagem concordo pessoal  e totalmente  aqui me dispus a esta imagem  descrever  e, por isso, me dispus a este longo post escrever:

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E é  assim, entretanto, que os nossos empregos se desvanecem, se esfumam, é assim que os nossos défices comerciais se alargam,  é assim que as nossas fábricas se encerram, é assim que a Europa se desindustrializa, é assim, que esta desindustrialização se processa , é assim   que os nossos défices aumentam e por essa via  é também assim que a dívida pública e a dívida externa aumentam também . E é também assim que a nossa juventude só tende a encontrar como meio de vida a situação de desemprego.

 

 

De que temos necessidade não é de uma política de submissão à China, andando-lhe a pedir a subscrição de títulos em yuans. Os americanos fazem quantitative easing, os ingleses fazem quantitative easing, os japoneses fazem o mesmo e os europeus parece que se vão vender à China!

 

De resto veja-se, mantém-se todo o sistema financeiro intocável, permite-se que o shadow banking  atinja valores semelhantes aos que precederam a crise e a anunciar que uma outra crise é igualmente possível e de que se tem medo, como diz o  The Economist, muito mais medo agora até porque descobrimos que dirigentes políticos de jeito não  temos  e que os Estados soberanos estão sem recursos…

 

 

Há dias, um ex-secretário de Estado francês para a Indústria em França,Lionel Stoleru, ironisava ou dramatizava, escolham o termo,  nos seguintes  termos quando nos falava na necessidade de proteccionismo. De que temos necessidade, em vez dessa submissão à China, é, dizia ele,  é de um  proteccionismo inteligente,  de que temos  necessidade é de uma regulação concertada das trocas entre o Ocidente e o Leste, para parar  e acabar com os desequilíbrios comerciais  em vigor  fixando-se entre os dois grandes espaços objectivos comerciais  comuns de retorno às trocas comerciais equilibradas : por exemplo, diminuir durante três anos em meio-ponto  de PIB por ano os excedentes e défices comerciais, o que repartiria o esforço a fazer entre o Ocidente e Oriente. Uma outra via é também exigir  às empresas chinesas que criem sucursais nos Estados Unidos e na Europa, com produção por um lado do valor acrescentado e criação de empregos. É o que fazem nos Estados Unidos várias grandes empresas indianas no domínio dos medicamentos genéricos, onde a Índia é agora número um mundial. É o que tentou fazer o governador de Califórnia nas condições postas à China para a sua participação no concurso do TGV californiano. Se a China exige às nossas empresas transferências de tecnologias, podemos muito exigir-lhes também transferências de empregos. O mundo está suspenso no futuro da Grécia e dos nossos bancos, enquanto que a falência brutal do emprego que se perfila é bem mais grave que a falência dos bancos, que, não irá existir.”

 

 

Nada disto tem a ver com a política seguida pela União Europeia. Nada, mesmo. Nesta Europa já de costas para a Democracia, e se dúvidas temos, digam-me quais foram as medidas concretas até agora executadas ou a executar pelo governo português que tenham sido anunciadas em campanha eleitoral pelo actual Primeiro-Ministro, propostas sujeitas a voto popular portanto, para que na verdade se possa dizer que estamos em Democracia, nesta Europa dos políticos falsários,  a cada  Estado ou a cada espaço económico deve também corresponder a sua nova moeda, a sua moeda também ela falsa, e então, aqui vos proponho como primeiros exemplares, duas  novas notas,  neste caso uma nota de 5 e uma de dez  euros, com as quais poderão ir jantar  mas, claro,  um um jantar virtual.   Uma oferta por post, nota por nota, até à ultima de 500 euros  que vos dará o direito de irem jantar, oh delícia dos Deuses a acreditar nos Cães da minha infância, da minha velhice, em  Nova Iorque, “on the third Wednesday of every month, [with] the nine members of an elite Wall Street society gather in Midtown Manhattan”,  acreditando que a informação do New York Times está correcta, e  entre os quais encontrará necessariamente dirigentes de JPMorgan Chase Goldman Sachs and Morgan Stanley . Jantar de luxo, de grande luxo, portanto.

 

Para já, um bom almoço mas barato com estas notas de 5 euros e de 10 euros.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É certo que os índices estão em baixa como assinala a nota de dez euros, mas ainda não almoçou. Vá com estas almoçar, ganhe boa disposição  e saudações argonautas, se é que o termo existe, mas se não existe também não tem problema, porque as notas também não existem.

 

Júlio Marques Mota

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