(1933 – 1970)
Um café na Internet
Sou feita de uma carne perecível
futuro de outra carne, sem nenhuma
eternidade. A rocha é uma invencível
parte da terra; que ela me resuma
no seu mesmo destino mineral.
A solidez ausente que tortura
nossa matéria frágil, no final
se renderá: serei de pedra dura.
Nunca mais chorarei nessa passagem
de poesia. Com nítida certeza,
recorto nas montanhas minha imagem
mais que raiz, expressa na beleza.
Pela terra em que não me desfiguro,
hei de surgir um dia em cristal puro.
In Inventos, Rio de Janeiro, José Olímpio, 1967.
Lupe Cotrim Garaude era professora de Estética e Filosofia na Universidade de São Paulo. A sua obra poética foi considerada como das mais originais do seu tempo. Cultivou também o ensaio. Publicou Monólogos do Afecto (1956), Entre a Flor e o Tempo (1961), O Poeta e o Mundo (1963), entre outras obras. Aos filhos A Viagem dos Argonautas apresenta os seus mais sinceros cumprimentos. Obrigado a António Miranda e a José de Valle Figueiredo, cujas obras consultamos.


