Apresentação
Iniciamos hoje, neste espaço de “Ao romper da bela aurora”, Belcanto, uma série dedicada aos cantores líricos. Iremos apresentar alguns dos melhores cantores de sempre. Porquê Belcanto?
A expressão italiana bel canto tem um sentido estrito, referindo-se à técnica vocal da ópera italiana que, com origem em finais do século XVII, atingiu a sua expressão mais intensa no começo do século XIX com as óperas de Rossini, Donizetti e Bellini, mas também aparece em obras de Verdi e de outros. Mathilde Marchesi (1821-1913), foi a grande professora da técnica do bel canto.
Porém, a nossa série não usará a expressão apenas no seu sentido operático, técnico e estrito, mas num sentido lato de belo canto, beleza da voz e virtuosismo da interpretação. Esta série centra-se nas vozes e não nos compositores. Não nos ateremos à ópera, pois embora haja um predomínio deste género, árias de operetas, zarzuelas, operas rock, musicais, serão tomadas em consideração.
Esperamos que gostem.
Enrico Caruso, o tenor italiano por muitos considerado o maior cantor lírico de sempre, nasceu em Nápoles em 25 de Fevereiro de 1873, morrendo na mesma cidade em 2 de Agosto de 1921. Foi também em Nápoles que iniciou a carreira, com apenas 21 anos, estreando-se com um repertório onde se incluíam as óperas de Puccini Fedora e La Fanciulla del West. Seria, no entanto, com interpretações como o Canio deI Pagliacci, de Leoncavallo, ou como o Radamés, em Aida, de Giuseppe Verdi que se tornaria internacionalmente famoso, actuando nos principais teatros do mundo.
A singularidade das interpretações de Caruso assentou principalmente na emissão do agudo mais forte de que há registo. Foi dos primeiros cantores líricos a aceitar a então nova tecnologia do registo fonográfico. De notar a qualidade da gravação remasterizada – não esqueçamos que se trata de um disco de há cem anos!
La donna è mobile do III acto de Rigoletto, de Giuseppe Verdi é um dos temas mais conhecidos de toda a história da ópera e talvez o mais mais inserido no gosto popular. A ópera Rigoletto, com libreto de Francesco Maria Piave inspirado na peça de teatro Le roi s’amuse, de Victor Hugo, foi estreada no teatro La Fenice de Veneza em Março de 1851. Em Portugal, a estreia fez-se no Teatro de São João, no Porto, em 1853 e, no ano seguinte, em Lisboa no Teatro de São Carlos.
Enrico Caruso, Giuseppe Verdi e La donna è mobile, iniciam esta nova série dedicada aos grandes intérpretes do universo lírico mundial.


