DIÁRIO DE BORDO, 5 de Novembro de 2011


 

Afinal não vai haver referendo na Grécia. Papandreu recua, mas vê aprovada pelo parlamento uma moção de confiança. Entretanto o ministro das finanças italiano pede a Berlusconi que deixe o governo, no final da cimeira do G20. Esta não traz nenhuma alteração decisiva nas políticas financeiras e económicas. Vejam o comunicado da ATTAC (Association pour la Taxation des Transitions financières et l’Aide aux citoyens) que o nosso blogue publicou ontem às 23.55. Parece que até Bill Gates aprova uma taxa sobre as transacções financeiras. The Guardian não hesita em classificar a cimeira como um falhanço. A reverência perante os mercados (mas o que são realmente?) continua a ser a pedra de toque da política do chamado Ocidente.

 

Em Portugal desactivam-se caminhos de ferro e carreiras fluviais, suprimem-se carreiras da Carris em Lisboa, estuda-se fechar o metropolitano às 23 horas, criam-se portagens por todo o país. As vendas de automóveis ligeiros em Outubro foram inferiores em 40 % face ao mesmo mês do ano passado. Parece que o empobrecimento preconizado por Passos Coelho vai ser acompanhado por uma paragem generalizada do país. Será que é assim que querem fazer crescer a produtividade?

 

Continuando Passos Coelho, teve de recuar nos cortes aos limites de endividamento das câmaras municipais. Das parcerias público-privadas, apesar de a temida troika querer acabar com elas, nem se fala. Realmente apertos é para quem trabalha, com os funcionários públicos à cabeça.

 

Entretanto, o Wall Street Journal noticiou que o governo português pensa criar um bad bank, que iria ficar com os chamados activos tóxicos dos bancos portugueses. A justificação é aliviar os bancos, para estes poderem apoiar a economia. Uma proposta semelhante já tinha sido feita por Ricardo Salgado, há meses atrás. Estamos daqui a ver: mais um candidato para competir com o BPN, para levar o nosso dinheiro. Ao menos os gregos têm mais arte, a enterrarem-se.

 

Lá fora, palpita-se onde e quando vai começar a nova guerra. A maioria das apostas vai para o Irão. Mas a Síria também merece algum destaque. A retirada final do Iraque e o fecho da guerra na Líbia deixam tropas disponíveis. A Hillary sempre foi uma guerreira e o Barack está perfeitamente rendido às artes marciais. Parece que EUA, Reino Unido e Israel já fazem exercícios em conjunto, a pensar na nova epopeia. 

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