
É sobre o inconsciente que Freud centra toda a sua atenção, não só como a zona mais importante do psiquismo como “ o próprio psiquismo” A vida psíquica do indivíduo é composta por duas partes principais: a consciente e a inconsciente.
A primeira é secundária, insignificante e pequena, o que alguém sabe a respeito de si não tem importância. A segunda, parece ser um conjunto de fenómenos psíquicos provisórios ou definitivamente inacessíveis à consciência. Entre a parte consciente e a inconsciente há a chamada pré-consciente, área temporariamente inconsciente, mais ou menos disponível.
Enquanto o pré-consciente designa os conteúdos momentaneamente lactentes o termo inconsciente é reservado a representações que estão permanentemente fora do alcance da consciência.
Assim, as recordações penosas, fantasias, medos, pulsões e desejos sexuais constituem o material dominante do inconsciente, devido ao seu carácter dinâmico, influenciam de forma determinante o comportamento.
O objectivo da psicanálise freudiana é trazer à percepção consciente lembranças ou pensamentos reprimidos, que se supunha ser a fonte do comportamento anormal do paciente[1].
Por outras palavras, o saber das crianças passa pelo crivo ou coador da sua estrutura de personalidade, avaliação que pode demonstrar se a criança é ou não capaz de entrar no processo de ensino – aprendizagem. Análise da estrutura de personalidade ou observação, palavra usada por mim com as metáforas de crivo ou coador, mais materiais que o abstracto conceito de avaliação ou observação dessa sua capacidade de conseguir ou não entrar nessa inaudita mente do “isto” ou “id” por não tornar consciente lembranças ou pensamentos reprimidos. Para ensinar, é necessário entender a estrutura da mente humana, da forma definida por Freud[2]. Não apenas trespassar a barreira do conhecimento ou desconhecimento, é preciso aceder à consciência do ser humano para poder curar efeitos de abuso emotivo ou sexual, ou saber travar a parte mais difícil de entender, o isto da mente. Explicar o conceito Id ou isto em português, com as minhas palavras, é de grande risco. Parece-me mais simples ir à fonte dos conceitos. Diz Freud: Em outros textos[3] já tinha formulado e definido a opinião qual a diferença real entre uma representação inconsciente e uma representação pré-consciente ou ideia. A ideia ou representação pré-consciente parece-me ser uma associação de matérias ou saberes não reconhecidos pela consciência, mas exprimidos em palavras. As representações verbais são, porém, ideias que representam o real associado a conceitos verbais. A representação inconsciente parece-me consistir em matérias desconhecidas da mente cultural[4]. É uma associação de matérias ou saberes não reconhecidos pela consciência por serem conceitos não definidos no saber infantil, mas que, contudo, podem ser exprimidos em palavras que têm um significado diferente do conteúdo do conceito. Esse conteúdo das palavras de facto exprimem uma associação de temáticas ou saberes, não são reconhecidos pelo consciente por ser uma imitação, ou como se diz vulgarmente “palavras caras”, mas representação material que obrigam a designar o objecto
[2] Estrutura definida no texto de 1923 como: Le moi et le ça (es) Le moi, le sur-moi et l’idéal du moi, escrito em francês a partir do original, em inglês, de 1923, “The Ego and the Id” http://www.sinprorp.org.br/Cursos/2007/233.htm , revisto pelo autor. O leitor poderá aceder ao texto em: http://www.uqac.uquebec.ca/zone30/Classiques_des_sciences_sociales/index.html.
[3] Das Unbewusste, ou O Inconsciente, em português, publicado na « Internationale Zeitschr. fur. Psychoanalyse », III, 1915, traduzido para português e acessível em: http://www.cfh.ufsc.br/~wfil/laplanche.htm e « Sammlung Kleiner Schriften zur Neurosenlehre » ou From the History of an Infantile Neurosis, em: http://www.google.com.br/search?hl=pt-PT&q=Collection+of+Short+Contributions+to+the+Doctrine+of+the+Neuroses%29%3A+Fourth+series.+By+S.+FREUD.+Leipzig+and+Vienna%3A+Heller+%26+Co.%2C+1918.+Pp.+717&btnG=Pesquisa+do+Google&aq=f&oq=, a História de uma neurose infantil e outros trabalhos, podem ser lidos em: http://www.scribd.com/doc/4564387/Vol-17-Historia-de-uma-neurose-infantil-e-outros-trabalhos. Estes textos integram as obras completas de Freud, anteriormente citadas. O da História de uma neurose infantil está na 4ª série e é datado de1918; o do Inconsciente, também definido em: Au-delà du principe du plaisir, data de 1920 e foi traduzido do alemão pelo analista Dr. S. Jankélévitch, no mesmo ano, tradução revista pelo próprio autor: Beyond the pleasure principle, em: http://www.uqac.uquebec.ca/zone30/Classiques_des_sciences_sociales/index.html, publicado na obra Ensaios de Psicanálise, edição reimpressa em Paris : Éditions Payot, 1968, (pp. 7 à 82), 280 páginas, na Colecção Petite bibliothèque Payot, n˚ 44, que começa pela hipótese seguinte: “A teoria psicanalítica admite sem reservas que a evolução dos processos psíquicos está orientada pelo princípio do prazer. Dito de outra forma, pensamos enquanto psicanalistas, que perante uma tensão desagradável ou triste, a luta é, pelo menos, pela substituição dessa tensão desagradável por uma agradável“. Retirado do texto citado, quer a tradução do texto central, quer a nota de rodapé, em: http://classiques.uqac.ca/classiques/freud_sigmund/essais_de_psychanalyse/Essai_3_moi_et_ca/Freud_le_moi_et_le_ca.doc#le_moi_et_le_ça_2. O texto em francês diz: «J’avais déjà formulé ailleurs l’opinion d’après laquelle la différence réelle entre une représentation inconsciente et une représentation préconsciente (idée) consisterait en ce que celle-là se rapporte à des matériaux qui restent inconnus, tandis que celle-ci (la préconsciente) serait associée à une représentation verbale. Première tentative de caractériser l’inconscient et le préconscient autrement que par leurs rapports avec la conscience. A la question : « Comment quelque chose devient-il conscient ? On peut substituer avec avantage celle-ci : « comment quelque chose devient-il préconscient ? » Réponse : grâce à l’association avec les représentations verbales correspondantes».
A nota de rodapé do texto, também em francês, diz: La théorie psychanalytique admet sans réserves que l’évolution des processus psychiques est régie par le principe du plaisir. Autrement dit, nous croyons, en tant que psychanalystes, qu’elle est déclenchée chaque fois par une tension désagréable ou pénible et qu’elle s’effectue de façon à aboutir à une diminution de cette tension, c’est-à-dire à la substitution d’un état agréable à un état pénible, em : http://www.uqac.uquebec.ca/zone30/Classiques_des_sciences_sociales/index.html.
[4] Figuração mental de um objecto ou facto.
