Duque de Saldanha (1790-1876)
Personalidade das mais destacadas e, do mesmo passo, das mais discutidas do século XIX, D. João Carlos Gregório Domingues Vicente Francisco de Saldanha Oliveira e Daun, nono filho dos condes de Rio Maior e neto materno do marquês de Pombal, nasceu a 17 de Novembro de 1790 e, pode dizer-se, esteve presente, no decurso da sua longa vida, em elevado número de momentos decisivos da nossa conjuntura oitocentista.
Integrado no exército, formado por 28 000 ingleses e 15 000 portugueses, com que o duque de Wellington perseguiu, através da Espanha, as tropas de Massena, de tal forma Saldanha se distinguiu na batalha de Salamanca que foi promovido a tenente-coronel, preterindo vinte e três majores, alguns dos quais ingleses.
O Governo português, instalado no Rio de Janeiro desde os finais de 1807, encontrava-se nesta altura a braços com o grave problema das hostilidades que lhe movia José Artigas, o terrível chefe dos gaúchos dos pampas, pelo que se resolveu deslocar para o Brasil uma parte das forças portuguesas.
Em 1822 vemo-lo aplaudir a Constituição, para, logo no ano seguinte, recuar, com o duque da Terceira e muitos outros, até Vila Franca e aplaudir a supressão das Cortes. Em 1826 aparece-nos proclamando a Carta Constitucional, ascende a ministro e é elevado a conde. É então, durante alguns anos, o chefe da oposição ao regente, o que o afasta da campanha iniciada em 1832, mas, quando a situação no Porto se reveste de dramatismo, regressa de Paris e oferece-se a D. Pedro IV, que o nomeia chefe do Estado-Maior, sendo notável a sua acção nesse momento decisivo, pelo que é promovido a tenente-general e agraciado com a Grã-Cruz da Torre e Espada.
Elevado a marquês, dotado com cem contos de bens nacionais, vai, no entanto, inclinando-se pouco a pouco para a direita, e em 1835 preside a um Ministério cartista.
A Coroa conquista-o. E às ordens dela principia a pôr a sua influência – e a sua espada. Reagindo contra o setembrismo, chefiou, com o duque da Terceira, em 1837, a revolta dos Marechais, cujo malogro o levou ao exílio. Regressado a Portugal, o Governo cartista encarregou-o de várias embaixadas em Londres, Madrid e Viena, e, após a Convenção de Gramido (30 de Junho de 1847), Saldanha, que havia sido agraciado com o título de duque, foi elevado a par do Reino, nomeado mordomo-mor da rainha D. Maria II e presidente do Ministério que se constituiu em 18 de Dezembro de 1848. Mas, com a subida ao poder de Costa Cabral, em 18 de Junho de 1849, pede a demissão dos seus cargos, decidido a derrubar o cabralismo, depois de ter sido o seu patrono.
Desencadeia, assim, o movimento da Regeneração (1851) e, depois de ter entrado triunfante em Lisboa, assume a presidência do elenco ministerial que se constituiu em 22 de Maio. Afastado do poder, presta serviço como diplomata em Roma, Londres e Paris, entre 1856 e 1870.
No Outono de 1869, encontrando-se em Lisboa, não hesitou em pôr ao serviço dos inimigos do Governo o seu contagiante prestígio de soldado, propondo a D. Luís a sua nomeação para comandante-chefe do exército. O Ministério recusou – e ordenou-lhe que fosse ocupar o seu lugar em Paris. Saldanha não obedeceu e, a 19 de Maio de 1870, em nome das tropas estacionadas no Largo da Ajuda, impôs ao rei a demissão do Governo. D. Luís obedeceu – e Saldanha assumiu a presidência do novo Ministério, sobraçando também a pasta da Guerra e, interinamente, a dos Negócios Estrangeiros. Mas a 29 de Agosto o soberano demitia o Ministério, e o velho marechal partia para o magnificente desterro da Embaixada de Portugal em Londres, falecendo na capital britânica a 21 de Novembro de 1876.
A seguir – Marquês de Sá da Bandeira
