Diário de bordo de 20 de Novembro de 2011


 

Há pessoas que, afectadas por uma qualquer enfermidade diagnosticada, continuam a fazer exames, a consultar médicos, em alguns casos a automedicar-se ao sabor de conselhos. O nosso País, com a Economia debilitada, à beira da ruptura, encharca-se em estudos, em sondagens que, se não servem para mais nada, vão pelo menos servindo de assunto aos meios de comunicação. Além disso, alimentam essas empresas cujos estudos, por acaso, claro, levam sempre a água ao moinho de quem os paga.

 

Um desses estudos, o da Deloitte, assegura que os portugueses consideram que a austeridade é necessária e que as medidas previstas no Orçamento de Estado para 2012, agravando a situação financeira das famílias, é razoável e indispensável. Este estudo de mercado serve como uma luva na argumentação do Governo – em declarações à Lusa, um responsável da tal Deloitte em Portugal,  elogia a “clarividência dos inquiridos “ e sai-se com esta pérola – “Nota-se que há alguma compreensão por estas medidas e creio que as pessoas estão sensíveis, conscientes do problema e da situação económica do país, bem como da necessidade de se adoptar medidas e estão até disponíveis para ajudar, através dos sacrifícios pessoais, na resolução do problema”.

 

 A classe média será a mais afectada pelas medidas do Orçamento do Estado para o próximo ano, seguindo-se os funcionários públicos e os reformados, revela ainda o estudo (como se grande maioria dos trabalhadores da função pública e dos pensionistas não integrassem também a classe média…).

 

 

Outra boa  notícia é a de que Portugal passou com nota positiva a primeira avaliação feita pela troika nas últimas duas semanas,  segundo fonte próxima do grupo constituído pela Comissão Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI).  Com esta aprovação, Portugal vai poder receber novas tranches do empréstimo externo de 78 mil milhões de euros, dos quais 18,6 mil milhões já foram entregues. Até ao fim deste ano, Bruxelas e o FMI irão desbloquear mais 20 mil milhões de euros.

 

No fundo, não sei por que nos preocupamos – afinal está tudo bem  – os portugueses estão conformados em que lhes reduzam de forma brutal o seu rendimento, a troika fez uma avaliação positiva vêm aí mais umas dezenas de milhões de euros do empréstimo externo… Tudo normal. Alberto João Jardim pode continuar a gastar, as contas bancárias de alguns engrossarão e, apenas a classe média será afectada. Representa cerca de 80% da população. Mas o que interessa isso? Se, segundo a tal Delloite, estão conformados em ser roubados… Por que nos preocupamos?

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