(Publicado em Todos Somos Portugal – Foto: Francisco Paraíso)
Ao longo destes anos tenho vivido, felizmente, momentos inesquecíveis de alegria e de grande impacto, normalmente associados a vitórias das selecções nacionais. A maioria deles são públicos mas também tem havido muitos e muitos vividos na intimidade dos grupos de trabalho. Na passada terça-feira decidimos passar para a opinião pública um momento íntimo acontecido no balneário após a vitória com a Bósnia no sentido da divulgação de um dramático caso humano que envolvia um atleta seriamente afectado por algo que sozinho não conseguiria resolver. Carlos Martins sentiu e disse-o publicamente que sentiu aquele momento como o de uma família unida em torno de um dos seus. Pela minha parte vendo o impacto público que aquela estratégia atingiu só posso considerar que o jogo, a alegria da vitória, foi ultrapassada pela solidariedade de todo um grupo de pessoas unidas no mesmo objectivo. Imediatamente após a luta contr os bósnios começou-se a luta contra a doença do Gustavo que também, estou certo, por todos será vencida. Como no estádio, unidos.
DESABAFAR
Dá-me vontade de desabafar sobre tantas coisas que se passaram nestes últimos dois meses que dificilmente consigo, neste momento, dizer tudo o que queria. Não é nos momentos de vitória que normalmente me sinto com vontade de falar dos meus sentimentos. Não sou assim. Mas de facto o que ouvi e li e sobretudo o que entendi de uma campanha vergonhosa que por aqui corre(u) merece comentários mais digeridos e pensados. Só faltaram dizer que era atrasado mental e que o Messias deveria chegar rapidamente sob pena de a Selecção Nacional se afundar. Depois de ter contribuído com o meu trabalho, modesto, eu sei, para diversos títulos mundiais e europeus nas camadas jovens, de ter ajudado na conquista de mais de cinco dezenas de lugares de honra de todas as selecções nacionais em competições oficiais, a última das quais na Colômbia, em Agosto, depois de ter criado uma estrutura que foi o suporte para termos conseguido a presença em quatro europeus (o quinto foi ontem) e em três mundiais, chegaram à conclusão – os iluminados comentadores – que se tinha de mudar rapidamente. A resposta foi dada ontem à noite na Luz. Que pequenez de gente! Voltarei ao assunto mas sobretudo à análise vista de dentro do que se passou nestes mais de catorze meses. Vou também analisar num destes dias, as injustiças que fizeram sobre alguns jogadores, especialmente sobre Helder Postiga. E depois de escrever e de dizer quase tudo o que sinto, aproximando-se mudança directiva na FPF, novos métodos, novas pessoas legitimadas pelo voto, suspenderei este blog. Já não fará sentido continuar.

