(Enviado por João Machado)
Cheguei ontem a Madrid, para uma estadia escassa, que me vai dar poucas oportunidades para vos dar notícias muito substanciais. Mas aproveito para falar um pouco de um acontecimento muito importante: decorreram ontem as eleições legislativas espanholas. A palavra de ordem dominante foi a mudança (cambio, como dizem aqui). O peso dos cinco milhões de desempregos em particular (se assim se pode dizer), e a crise económica em geral foram os factores que sem dúvida mais influenciaram o voto.
Como sabem venceu o PP com larga maioria. Mariano Rajoy conseguiu uma maioria superior à de Aznar em 2000, facto largamente apregoado pelos comentadores que ouvi na televisão. Apenas terá sido inferior à obtida por Filipe Gonzalez, salvo erro em 1982. Isto fortalece-o, não só no país em geral, mas também no seu próprio partido. O PSOE caiu largamente, e ouvi uma pessoa com com responsabilidades, o director do El Mundo (jornal de direita) defender que Rubalcaba, o candidato socialista, deveria abandonar a política, devido à sua má campanha. Obviamente que não morre de amores por ele.
Mas nem tudo serão rosas. Para além de que Rajoy dificilmente conseguirá, no curto prazo, fazer melhor que o PSOE na economia, outros problemas com certeza que se lhe depararão. A direita, com o apoio da Igreja Católica, vai pressionar no campo dos direitos e dos costumes (o aborto, o casamento dos homossexuais serão apenas os assuntos mais mediáticos) e sobretudo na redução do Estado Social. E o problema do País Basco vai-se tornar mais complicado. O facto da ETA ter renunciado à luta armada, é sabido, veio complicar a vida à direita espanhola, obcecada pelo centralismo, personificado pela monarquia. E os resultados destas eleições bem que o mostram. No País Basco, incluindo a Navarra, a força mais votada foi a recém-formada coligação de esquerda, que o já citado director do El Mundo diz ser controlada pela ETA. A seguir vem o PNV. O PP elegeu apenas três deputados.
Portugal fará bem em acompanhar a evolução da política espanhola. E não só por causa da economia. Vamos ter muitas novidades, em vários capítulos.

