Eva Cruz A lenda grega
(Adão Cruz)
Na Antiga Grécia corriam rios de leite e de mel. Abundavam pastagens verdejantes.
O mar era fonte de sonhos.
No Olimpo, os Deuses comandavam a vida e os destinos dos humanos.
Em festins permanentes celebravam as riquezas da terra.
Um pastor com asas nos pés levava as ovelhas de terra em terra em busca das melhores pastagens.
Estas começavam a rarear e lentamente os campos rapados iam secando e as ilhas transformavam-se em penhascos inóspitos.
Os Deuses, porém, deambulavam por ali de vez em quando, pairando para além das nuvens, e de tão poderosos que eram, esqueciam os mortais, insensíveis à destruição da vida daquelas ilhas.
O pastor feito de vento, escravo do rebanho, dormindo ao relento, encostado às suas ovelhas, pedia aos Deuses do Olimpo clemência.
Cansado de tanto labutar, fechou os olhos e de súbito os campos se tornaram azuis.
O seu corpo transformou-se num barco, levado por uma força inumana, arrastando com ele o seu rebanho.
O mar ofegante alterou-se em redemoinho e das águas revoltas ergueu-se uma outra ilha onde de novo corriam rios de mel e os campos eram fonte de leite.
O Olimpo ficara para trás e pastor e ovelhas nem sequer queriam ouvir falar dos Deuses.
Petrificados na sua mansão, foram esquecidos para sempre.
Assim libertos do FMI dos Deuses e do Olimpo, o pastor e o rebanho começaram nova vida em paz e abundância.
A avó, cansada de sonhar, inventou esta lenda e contou-a aos netos.
Adormecidos ao canto da lareira, levavam com pés de vento, o conto da avó pelo tempo fora.
E a avó descansou, assim, do seu sonho.



Sempre me encantaram as lendas, os contos de mil ou menos noites. Esta lenda da Eva, para explicar aos netos aquilo para que normalmente não se encontram senão formas frias e duras de o fazer, é mais uma fatia da sua encantatória escrita. Não tenho um pedacinho de falsidade ao dizer isto.