Fontes Pereira de Melo (1819-1887)
António Maria de Fontes Pereira de Melo nasceu em Lisboa, a 1819.
Era filho de João de Fontes Pereira de Melo que foi governador de Cabo Verde por duas vezes. António Maria nunca foi governador de Cabo Verde mas foi eleito deputado pelas ilhas, que foi o primeiro passo para uma brilhante carreira política.
António Maria Fontes Pereira de Melo, fidalgo da Casa Real, do conselho de Sua Majestade e do conselho de Estado, chefe do partido regenerador, ministro e secretário de Estado em diversas épocas, deputado e eloquente orador, salientando-se o discurso que pronunciou na câmara contra a lei conhecida pelo nome de «lei das rolhas», que restringia a liberdade de imprensa, contra a qual o país inteiro se sublevou e que em muito contribuiu para que se destacasse brilhantemente como oposicionista.
António Maria de Fontes Pereira de Melo dá entrada na vida política quando, em 1848, foi eleito Deputado. Em 1866 é nomeado Conselheiro de Estado, em 1870 Par do Reino e, em 1871, 1878-1879 e 1881-1886 assumiu a chefia do executivo.
Depois de um período de agitação política que marcou a primeira metade do século XIX, teve início em 1851 uma nova etapa da monarquia constitucional portuguesa. Esse período foi chamado de Regeneração, pois os governos tentaram recuperar o atraso em que Portugal vivia em relação a outros países da Europa através da modernização da administração e do desenvolvimento económico do país. No primeiro governo da Regeneração foi criado um novo ministério, o das Obras Públicas, do qual Fontes Pereira Melo se encarregou.
Fontes Pereira de Melo aumentou o número de estradas, construiu o primeiro troço dos caminhos-de-ferro, que ligava Lisboa ao Carregado, iniciou a construção de outros dois caminhos-de-ferro e montou a primeira linha telegráfica.
Além dessas obras, iniciou a revolução dos transportes e das comunicações, inaugurando carreiras regulares de barcos a vapor, os serviços postais e as redes telefónicas.
Na pasta do reino, Fontes deixou a nova lei eleitoral, a mais liberal e razoável que até então tinha havido, a transferência do Conselho de Instrução Pública de Coimbra para Lisboa, a reforma do ministério, a passagem da Escola Politécnica para a jurisdição do ministério do reino, a abolição dos passaportes, a lei que concedeu pensões aos que se tinham distinguido na verdadeira campanha contra a febre-amarela. Durante os 16 meses em que geriu este ministério, desde Março de 1859 a 4 de Julho de 1860 contribuiu para a instrução pública a organização mais justa do ensino superior, a beneficência e a fundação do hospital de D.ª Estefânia.
Em 1871 encarregou-se das pastas da fazenda e da Guerra, sendo que, nesta última o exército recebeu dele as brilhantes peças Krupp ao mesmo tempo que a fortificação de Lisboa recebia um poderoso impulso.
Fontes Pereira de Melo tinha as mais altas distinções honoríficas, tivera duas honrarias raramente concedidas em Portugal a quem não fosse príncipe de sangue, a ordem da Anunciada da Itália e do Tosão de Ouro de Espanha.
Fontes Pereira de Melo faleceu no posto de general de divisão; foi governador da Companhia do Crédito Predial Português e presidente do Supremo Tribunal Administrativo; foi também presidente da comissão central do Primeiro de Dezembro de 1640, que promoveu a inauguração do monumento aos Restauradores, a qual se realizou em 28 de Abril de 1886, assistindo el-rei D. Luís e o príncipe D. Carlos.
Fontes Pereira de Melo foi um dos principais políticos portugueses da segunda metade do século XIX.
Morreu no dia 22 de Janeiro de 1887.
A seguir – Silva Porto

