COMPOSITORES DESCONHECIDOS – Alma Mahler – por Paulo Rato

Alma Mahler

(1879-1964)

 

 

Alma Mahler (1902)

 

 

“A maior parte das apresentações biográficas, ainda hoje, parece que sublinham mais a sua aura de mulher fatal, detendo-se muito pouco sobre a sua formação musical, quase nada dizendo sobre as suas concepções musicais e composições.

 

Karen Monson dá à sua biografia o título “Musa de Génios”.

 

Outra biógrafa, Brunhilde Sonntag, procura demonstrar que ela sacrificou voluntariamente a sua actividade de compositora ao papel de musa, e muitos a acompanham nesta conjectura.” (Danielle Roster)

 

Alma Schindler nasceu em Viena em 31 de Agosto de 1879, filha do mais célebre pintor paisagista de Viena da sua época.

 

Começou a improvisar ao piano e a compor música aos 9 anos.

 

Aos 18 já fazia parte de um círculo de artistas vienenses, como Gustav Klimt, Arthur Schnitzler, Alban Berg, Schönberg, Hugo van Hofmannsthal, Adolf Loos.

 

Também conheceu Maurice Ravel, Marc Chagall, Paul Painlevé, Lewis Sinclair, Herbert Wells, James Joyce, Gustave Charpentier, Erich Maria Remarque.

 

Casou com Mahler (músico), Gropius (arquitecto, um dos fundadores da Bauhaus) e Franz Werfel (escritor, que fez parte do Grupo de Praga, com Kafka e Max Brod), tendo, entretanto, vivido ainda com Óscar Kokoschka (pintor expressionista), além dos amores com Klimt, aos 18 anos.

Para fugir ao nazismo, deixou a Áustria, com Frank Werfel (que era judeu), passando pela Suíça, França, Espanha e Portugal. Chegou aos Estados Unidos em Outubro de 1940, acabando por se instalar em Los Angeles em 1941. Depois da morte de Werfel, Alma tornou-se cidadã americana e trocou a Califórnia por Nova Iorque. No entanto, está sepultada na sua cidade natal, no Friedhof Grinziger.

Teve duas filhas com Mahler, Maria (que morreu com apenas 5 anos) e Anna, que se tornaria escultora. Com Gropius, Manon (cuja morte, aos 18 anos, esteve na origem do concerto para violino “À memória de um anjo”, de Alban Berg). O quarto filho, Martin, nascido já da ligação com Werfel, não viveria mais de dez meses.

Korngold dedicou a Alma o seu Concerto para Violino, Op. 35, e Britten o “Nocturno”.

 

“Ela é avara de si mesma, essa jovem que fala incessantemente de “dar” […] Fundamentalmente, ela não quer dar. Ela quer receber amor e glória, glória e amor como o tributo que o mundo lhe deve. […] Meio século mais tarde, dir-se-á, escrever-se-á, repetir-se-á que Alma matou Mahler. Que ela o conduziu a um estado psíquico tal que a doença o encontrou privado de resistência. A tese parece audaciosa […] Mas se é verdade que se pode morrer de amor, então, na verdade, ele morreu disso […] Ela nunca amou, o que se chama amar, os filhos […]”

                                   Françoise Giroud, Alma Mahler ou l’Art d’être aimée (1988)

 

Será assim? Algo, no entanto, terá sido roubado à vida de Alma, além dos três filhos que tão pouco tempo viveram. Mahler foi muito claro, quando lhe atribuiu o papel de amante e companheira compreensiva, com a única missão de o fazer feliz, impondo-lhe condições draconianas, antes do seu casamento, nomeadamente a proibição de se dedicar à música…

Recuou mais tarde, após a crise provocada pela primeira aproximação amorosa  de Alma ao ainda muito jovem Gropius, passando a dedicar um maior interesse pela sua música. Talvez tarde demais – para Mahler, que morreria pouco depois de ter encorajado e orientado a publicação de um primeiro conjunto de canções da sua mulher, mas também para Alma: o que um dia, numa vida, se deixou passar, nunca retorna. 

 

 

 

Alma Mahler terá composto mais de 100 lieder, que terão sido destruídos no incêndio da sua casa em Viena, em 1945. Conhece-se, actualmente, um total de 17.

Escreveu ainda dois livros: “A Minha Vida” e “Uma Vida com Gustav Mahler”.

 

 

Como exemplos desse reduzido mas importante legado, as interpretações de um “consagrado” e de uma das cantoras mais talentosas surgidas recentemente.

 

Proponho, pois, em  primeiro lugar, a canção “Die stille Stadt”, pelo bem conhecido barítono americano Thomas Hampson, com Wolfram Rieger, em piano:

 

 

 

 

 

E, a seguir, “In meines Vater Garten”, pela jovem meio-soprano checa Barbora Polášková, acompanhada ao piano pela sua compatriota Milada Jedličková

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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