por Rui Oliveira
Na semana que se inicia poderemos destacar, com relativa importância, os seguintes eventos :
1. À Fundação Calouste Gulbenkian, no seu Grande Auditório às 21h de Segunda 5 de Dezembro, o Ciclo Grandes Orquestras traz porventura a orquestra de câmara francesa actualmente mais prestigiada, o Ensemble Orchestral de Paris, criada em 1978 com sede habitual no Théâtre des Champs-Elysées e aqui dirigida por Lawrence Foster, tendo como solista associado o pianista francês Jean-Yves Thibaudet (acompanhante regular de Cecilia Bartoli e Angelika Kirchschlager).
O programa do concerto integra :
Gabriel Fauré Pelléas et Mélisande, op. 80
Camille Saint-Saëns Concerto para Piano e Orquestra nº 2, op. 22
Igor Stravinsky Concerto em Ré
Franz Schubert Sinfonia nº 2, D. 125
Também no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian, às 19h de Terça 6 de Dezembro, agora o Ciclo de Piano apresenta um pianista reconhecido sobretudo como intérprete do repertório clássico e romântico, o norte-americano Nicholas Angelich que nos vem tocar de Ludwig van Beethoven a Sonata para Piano nº 5, op.10 nº1 e a Sonata para Piano nº 32, op.111 e de Sergei Rachmaninov os Études-Tableaux, op.39.
2. De Quinta 8 a Domingo 11 de Dezembro, no Centro Cultural de Belém, às 21h no seu Pequeno Auditório, é criada uma nova e original peça Maior pela Companhia Maior, composta por artistas maiores de 60 anos, numa direcção e coreografia de Clara Andermatt que irá experimentar uma abordagem distinta daquela que tem vindo a explorar em trabalhos como Natural ou Durações de um Minuto, “pretendendo-se retirar a tónica da idade dos intérpretes sem, no entanto, desperdiçar as características que são indissociáveis das biografias destes indivíduos: a experiência, a sabedoria, a vulnerabilidade, o respeito, a realidade de quem nasceu na primeira metade do século XX”, diz o programa.
Intervêm neste projecto, além da participação especial de Luna Andermatt, os artistas Ana Diaz, António Pedrosa, Carlos Nery, Celeste Melo, Cristina Gonçalves, Diana Coelho, Elisa Worm, Helena Marchand, Isabel Millet, Isabel Simões, Iva Delgado, Jorge Falé, Júlia Guerra, Kimberley Ribeiro, Manuela de Sousa Rama, Michel, Paula Bárcia e Vítor Lopes.
3. Desde Sábado 10 de Dezembro até 22 de Dezembro, têm lugar, numa produção do Teatro Nacional de São Carlos dois espectáculos de interesse previsível.
Na Sala Principal do TNSC , às 21h, a Companhia Nacional de Bailado repõe Romeu e Julieta criado em 2001 no CCB, ao som da Orquestra Sinfónica Portuguesa sob a direcção musical de Joana Carneiro. Tem coreografia do sul-africano John Cranko sobre argumento seu segundo William Shakespeare, música de Serguei Prokofiev, figurinos de António Lagarto e imagens de Daniel Blaufuks. É actualmente ainda desconhecido o elenco definitivo.
Na sala do Teatro Camões, às 16h e às 20h (conforme os dias) e numa produção TNSCarlos, á apresentada a ópera de magia e mistério em cinco cenas O Gato das Botas do compositor catalão Xavier Montsalvatge (1912-2002), com libreto de Néstor Luján segundo o conto de Charles Perrault e cantada em português na versão de César Viana. Acompanha-a a Orquestra Sinfónica Portuguesa sob a direcção musical de João Paulo Santos.
Serão intérpretes Carla Simões (Gato), Diogo Oliveira (Rei), Lara Martins (Princesa), João Merino (Moleiro) e João Oliveira (Ogre).
Curiosamente as salas de cinema acabam de estrear uma animação de Chris Miller Puss in Boots (em português O Gato das Botas) de boa qualidade, segundo a crítica “uma deliciosa variação pós-moderna sobre as fábulas de João e o Pé de Feijão e da Gansa dos Ovos de Ouro, com a personagem explicando de onde vieram as botas e a sua reputação de emérito espadachim e de resgate da sua honra felina maculada”. Ganha, parece, escutar-se a versão original pelo intercâmbio entre as vozes de António Banderas, Salma Hayek e Zach Galifianakis.
Se quiser ficar com uma ideia do seu clima, consulte-se o trailer ligando-se através de :
http://www.youtube.com/watch?v=f90sSvOBd34&feature=related
4. Na Quinta 8 de Dezembro, às 21h30, a Comuna Teatro de Pesquisa vai representar a peça de Nöel Coward Design for living, uma sofisticada comédia, cuja acção se passa em Paris, Londres e Nova Iorque. Conta, segundo o programa, “a história de um trio de artistas, Otto um artista plástico, Leo um dramaturgo e Gilda uma designer de interiores, que estão todos apaixonados uns pelos outros. No entanto, quando a luta entre Otto e Leo pela total atenção de Gilda se torna demasiado pesada para ela, desaparece e decide casar com um velho amigo negociante de arte. Dois anos mais tarde …”
A encenação é de Álvaro Correia e a interpretação de Carlos Paulo, Carlos Vieira, Hugo Franco, João Tempera, Maria Jorge Marques, Mia Farr e Rita Calçada Bastos.
Na ausência de registo deste espectáculo próximo, pode ver-se um excerto da representação em Chicago (2006) da peça por Simone Roos (que lhe valeu o Jeff para Melhor Actriz desse ano), ligando-se em : http://www.youtube.com/watch?v=0WBOzrJxIkM , mas julgo mais saboroso rever uns clips do filme do mesmo nome de Ernst Lubitsch de 1933, com Fredric March, Gary Cooper and Miriam Hopkins.
5. A 6 de Dezembro, no Teatro Maria Matos, às 22h, será curioso ouvir a banda sonora original que os A Hawk and a Hacksaw (a associação do acordeo-percussionista do Novo México Jeremy Barnes com a violinista Heather Trost) compuseram para acompanhar a projecção integral do filme, tido por obra-prima, do realizador soviético de origem arménia Sergei Paradjanov Shadows of Forgotten Ancestors (1964).
Cordas sobresselentes
De entre os eventos que suscitam curiosidade (ou mesmo interesse) na semana próxima salientamos alguns com “boas cartas de apresentação”. Assim :
A 5 de Dezembro, a Fundação Gulbenkian, ao mesmo tempo (às 18h) em que conclui no seu Auditório 2 o ciclo de conferências A Natureza-Morta na Modernidade com a palestra de David Hopkins (University of Glasgow) sobre Natureza-Morta e a «Crise do Objecto», colabora na Mostra Espanha 2011 através dum concerto intitulado Esplendor musical na Espanha dos Séculos de Ouro – O virtuosismo instrumental na época dos Áustrias em que se oferece uma visão antológica daquela música nos séculos XVI e XVII.
A parte dedicada ao séc.XVI é estruturada à volta do toledano Diego Ortiz, primeiro virtuoso da viola da gamba ; a do séc.XVII baseia-se na figura do guitarrista Gaspar Sanz e na recopilação do repertório que Antonio Martin y Coll realizou no início do séc.XVIII. Tocarão Jordi Comellas, vihuela de arco e Juan Carlos de Mulder, vihuela e guitarra barroca.
A 6 de Dezembro, no Ondajazz, às 22h30, Filipe Melo, piano e Bruno Santos, guitarra , acompanhados pelo baterista Bruno Pedroso introduzem o conhecido contrabaixista israelita Omer Avital, responsável pelo grupo de abertura da jam session do famoso clube Smalls, no Greenwich Village.
De entre os espectáculos de grande audiência desta época (apesar de tudo) festiva, temos o regresso a Portugal do Harlem Gospel Choir ao Coliseu dos Recreios, às 21h30 de Quarta 7 de Dezembro na celebração dos seus 25 anos de existência.
Sendo eventualmente o mais famoso grupo de gospel da América, tem largo currículo acumulado desde que foi fundado por Allen Bailey em 1986, depois de um momento de inspiração obtido ao assistir a uma cerimónia de homenagem a Martin Luther King, no Cotton Club, que lhe valeu p.ex. ser convidado para a abertura da campanha de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos.
A 7 de Dezembro, encerrando os Anos Mahler, o Centro Cultural de Belém promove um concerto no seu Grande Auditório às 21h com a Orquestra Sinfónica Metropolitana (dir.: Michael Zilm) onde será tocada a última sinfonia, a Sinfonia nº 9, que o compositor austríaco concluiu (1910) nas vésperas da I Grande Guerra que, de algum modo, pressagia.
A Orquestra Gulbenkian recebe a direcção da maestrina Susanna Mälkki para um novo concerto do ciclo Outono Russo no Grande Auditório da Fundação a 8 de Dezembro, às 21h, com repetição a 9 de Dezembro, às 19h. Será solista o violoncelista britânico Steven Isserlis.
Do programa constam de Jean Sibelius En Saga, op. 9, de Piotr Ilitch Tchaikovsky Variações sobre um tema Rococó, op. 33 e de Sergei Rachmaninov Danças Sinfónicas, op. 45.
Vem ao Campo Pequeno às 20h de 8 e 9 de Dezembro a conhecida banda de rock alternativo norte-americana de Chicago os Smashing Pumpkins para, entre outras, divulgar as canções do seu próximo álbum Oceania. Precedendo o grupo de Billy Corgan actuam os texanos Ringo Deathstarr, autores do seu primeiro álbum Colour Trip em Fevereiro de 2011.
Duas peças estreiam esta semana. A 8 de Dezembro (permanecendo até 23) o Teatro da Trindade leva à cena na sua Sala Principal, às 21h, Barioná ou o Jogo da Dor e da Esperança, um mistério de Natal segundo Jean-Paul Sartre, com encenação e dramaturgia de Júlio Martin da Fonseca. No elenco José Nogueira Ramos (Barioná), Sara Ideias (Sara), José Simão (Baltazar), entre outros.
O texto conta a história de uma aldeia da Judeia sob ocupação romana. Conta como, dado que os Romanos tinham decidido aumentar os impostos, o chefe da aldeia, Barioná, exorta os seus concidadãos a ripostar deixando de fazer filhos. Mas eis que a sua mulher Sara lhe anuncia, que está precisamente grávida …
Já a 10 e 11 de Dezembro é o Teatro do Bairro que, às 21h, apresenta, a partir de A Cena de Ódio de José de Almada Negreiros, a peça Déjà Vu com direcção artística e encenação de Emanuel de Sousa,música original de Tiago Almeida e interpretação de Alexandre de Sá, Daniela Gonçalves, Emanuel de Sousa, Pedro Dias e Rita Vieira.
O texto, segundo o programa, “exalta os vícios, os derrotados, os ultrajados, os religiosos sexualmente frustrados e discrimina o homem civilizado…”.
No Ondajazz, às 22h30 de 9 (Sexta) e 10 (Sábado) de Dezembro, o concerto Invitation au Voyage (Convite à Viagem) vai pela 1ª vez reunir o saxofonista francês Eric Seva e o guitarrista egípcio Khalil Chahine (amigos que partilham espectáculos) com o contrabaixista italiano Massimo Cavalli e o baterista português João Cunha (também colegas de concertos). Será um encontro de jazz com Música do Mundo, em particular dos quatro países, à volta de composições dos três primeiros.
No Sábado 10 de Dezembro, às 18h, retomam na Fundação Calouste Gulbenkian as transmissões em directo e em HD da Metropolitan Opera House com a ópera de Charles Gounod Faust numa encenação e produção de Des McAnuff e a direcção musical do maestro Yannick Nézet-Séguin. Serão intérpretes, entre outros, o tenor lírico alemão Jonas Kaukmann como Fausto, o baixo alemão René Pape como Diabo e a soprano russa Marina Poplavskaya (ou a romena Angela Gheorghiu, segundo alguns) como Margarida.
Embora fiel à ópera de Gounod, a história é deslocada para meados do século XX, sendo Fausto um físico desencantado com a sua área de investigação e horrorizado pela criação e utilização da bomba atómica. Recusando a guerra e querendo abraçar totalmente a paz, este Fausto procura Mefistófeles a fim de recuperar a sua juventude e poder verdadeiramente dedicar-se a uma causa nobre e ao amor a Margarida.
Continuando a tradição de anos anteriores, o Instituto Cultural Romeno, em parceria com o Museu Nacional do Azulejo e o Patriarcado de Lisboa, organizam em Lisboa concertos de cânticos romenos de Natal na Sexta-feira, 9 de Dezembro, às 21h na Igreja da Madre de Deus / Museu do Azulejo e Sábado, 10 de Dezembro, às 21h na Basílica da Estrela apresentados pelo Coral Theophilos de Turda (Roménia), fundado em 2001, por iniciativa do Padre Sebastian Zăhan, que também é o seu regente. (entrada livre)
A 11 de Dezembro, às 19h, volta à Fundação Calouste Gulbenkian (Grande Auditório) o Quarteto Tetzlaff (Chistian Tetzlaff violino, Hanna Weinmeister viola, Elisabeth Kufferath violino e Tanja Tetzlaff violoncelo) para, no ciclo Música de Câmara e num concerto Os últimos quartetos de Beethoven II, tocar de Joseph Haydn o Quarteto para Cordas op.20 nº2, de Alban Berg a Suite Lírica e de Ludwig van Beethoven o Quarteto para Cordas nº 15, op.132.
Também nesta época a EGEAC promove diversos concertos de Natal (de acesso livre), prevendo-se que tenham boa qualidade os seguintes :
Às 16h de Quinta 8 de Dezembro, na Igreja da Nossa Senhora da Conceição Velha, o músico e compositor Rão Kyao interpretará em flauta de bambu e saxofone melodias próprias da quadra.
Às 21h30 de Sexta 9 de Dezembro, na Basílica da Estrela, os Pequenos Cantores do Conservatório Nacional, o Ensemble Peregrinação, o Coro Musaico e o Coro Geral entoarão canções desde Gaspar Fernandes a Lopes Graça, passando por Vaughan Williams.
Às 16h de Sábado 10 de Dezembro, na Igreja de Santo Agostinho (Marvila) a cantora Ana Paula Russo e o guitarrista clássico espanhol Carlos Gutkin darão a ouvir Canções Populares de Natal de vários Países tais como Itália, Espanha, França ou Portugal, além de espirituais negros.
Às 16h de Domingo 11 de Dezembro, na Igreja da Graça, a Polyphonia Schola Cantorum (dir.: Sérgio Fontão) cantará canções portuguesas de Natal desde D.Pedro de Cristo, Estevão Lopes Morago a melodias da Índia Portuguesa, de Cardigos ou de Linhares.
No campo particular do Cinema, chamaríamos a atenção para a III Mostra de Cinema da América Latina’11 que, de 6 a 10 de Dezembro no Cinema São Jorge, dá a conhecer a mais recente produção cinematográfica de países como a Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Paraguai, Peru, México e Urugua. Nove filmes – alguns seleccionados e premiados nos principais festivais internacionais -, uma sessão de curtas e um debate sobre Novos Caminhos do Cinema Latino-americano fazem parte da programação (a ver em : http://www.americalatinacinema.com/home.html ).
Também a Fundação Gulbenkian exibe a 7 de Dezembro, dois filmes relevantes referentes a temas musicais e não só. Às 19h é projectada A Arca Russa (2002) onde o realizador russo Alexander Sokurov filmou no interior do Palácio de Inverno, em São Petersburgo, uma viagem de hora e meia através da história da Rússia. Às 21h é a vez de Shostakovich against Stalin : The War Symphonies (1997), documentário de Larry Weinstein sobre a forma como Dmitri Shostakovich usou várias das suas sinfonias como um protesto silencioso contra os crimes de Estaline.
Por último, um alerta.
Dentro da Mostra Espanha 2011 que tem decorrido entre nós neste fim de ano por iniciativa do Ministério da Cultura espanhol, há duas exposições interessantes (além de Cuerpos de Dolor no MNAA que referimos no último Pentacórdio) que encerram brevemente. São :
No Refeitório do Mosteiro do Jerónimos está patente a exposição Rostos de Roma, uma viagem pelo retrato romano através das peças de escultura clássica do Museo Arqueológico Nacional de Espanha que termina a 15 de Dezembro próximo. (o acesso é gratuito ao visitante do monumento)
No átrio da Biblioteca Nacional, a exposição Nulla Dies Sine Linea dá uma visão do desenho espanhol contemporâneo através de 140 obras de jovens artistas provenientes de todo o território do país vizinho. Fecha a 3 de Janeiro de 2012. (entrada livre)
Caros leitores : Optámos por economia de espaço e também de tempo (meu e vosso) por seleccionar mais as ofertas tidas como secundárias. Se acaso a anterior menção dum leque mais amplo vos fôr útil, peço que me o transmitam em comentário. Até para a semana !







