Paiva Couceiro (1861-1944)
Filho de José Joaquim de Paiva Cabral Couceiro, oficial de engenharia militar do Exército Português, e de Helena Isabel Teresa Mitchell, uma protestante irlandesa convertida ao catolicismo, Henrique Mitchell de Paiva Couceiro foi um militar, administrador colonial e político português. Ficou conhecido após as campanhas de ocupação colonial em Moçambique nos anos seguintes ao ultimato de 1890, pelo qual o Reino Unido impediu que Portugal reclamasse vastos territórios no interior de África. Foi governador-geral de Angola entre 1907 e 1909. Paiva Couceiro abandonou o cargo em 1909, devido a dificuldades levantadas ao seu plano de administração.
Assumidamente monárquico, tinha uma personalidade quase quixotesca e notabilizou-se como inspirador das chamadas incursões monárquicas contra a Primeira República Portuguesa. Tendo lutado contra a revolução de 5 de Outubro e a instauração da República, comandou várias incursões monárquicas entre 1911 e 1912.
A contra-revolução monárquica sucedeu quase de imediato à proclamação da República, em 5 de Outubro de 1910 e teve como objectivo primordial organizar um movimento político-militar capaz de derrubar as instituições do novo regime e restaurar a situação vigente até àquela data. A história da I República é pontuada, desde os seus alvores, por um esforço contra-revolucionário levado a cabo por sectores descontentes com as medidas decretadas pelos governos republicanos e que, incluindo o clero e forças politicas conservadoras e radicais, tinham nos monárquicos de diversas tendências os seus mentores mais salientes e inconformados. O chefe carismático da contra-revolução monárquica foi sem dúvida Henrique de Paiva Couceiro, um dos poucos realistas que resistiu em armas à revolução republicana e que, refugiado político na Galiza, comandou duas frustradas incursões no norte do País, em 1911 e 1912.
No início de 1919, conseguiu subverter as instituições da parte do território continental que ia do Minho à linha do Vouga, restaurando a monarquia durante 25 dias. Em nome do Rei e estrategicamente, restaurou a Carta Constitucional de 1826. Contudo, o seu objectivo maior era o regresso à Monarquia Integral, medieval, católica e corporativa. Foi fugaz a experiência da Monarquia do Norte, durante a qual uma Junta Governativa presidida por Couceiro revogou toda a legislação republicana promulgada desde 5 de Outubro de 1910, restaurou a bandeira e o hino monárquicos e legislou intensa e infrutiferamente. A sublevação monárquica de 1919 haveria de abortar, ao não lograr obter apoios fundamentais que poderiam garantir a sua sobrevivência. O malogro da breve experiência monárquica era inevitável.
A sua devoção monárquica valeu-lhe várias vezes o exílio, antes e depois do advento do Estado Novo. Pelas incursões feitas e pela sua fidelidade monárquica ficou conhecido O Paladino.
Em 22 de Outubro de 1937, numa carta dirigida a Salazar, faz uma violenta crítica ao regime:
Cantam-se loas às glórias governativas e ninguém pode dizer o contrário. O Portugal legítimo do “senão, não” foi substituído por um Portugal artificial, espécie de títere, de que o Governo puxa os cordelinhos. Vela a Polícia e o lápis da censura. Incapacitados uns por esse regime de proibições, entretidos outros com a digestão que não lhes deixa atender ao que se passa, e jaz a Pátria portuguesa em estado de catalepsia colectiva. Está em perigo a integridade nacional. É isto que venho lembrar… Critica virulentamente a política colonial, considerando que o desenvolvimento de Angola é objectivo nacional, falando nesta como um país a fazer.
Paiva Couceiro nasceu em Lisboa, no dia 30 de Dezembro de 1861 e morreu a 11 de Fevereiro de 1944.
A seguir – Bibliografia

