Em quadras como estas, é bom lembrar os nossos deveres entre nós e com a Nação que soube fazer de nós pessoas agradáveis e simpáticas, fáceis de entender e de aceder.
Bem sabemos que incutir simpatia e disciplina, é uma das mais difíceis tarefas entre os seres humanos. Ou seja entre adultos ou crianças. Nos lares existem dois conceitos que parecem contraditórios: gritos e colaboração. Todavia, são conceitos derivados do mesmo sentimento: a necessidade de amarmos e de sermos amados, ao procurarmos justiça para nós e assumirmos (por vezes) a nossa injustiça no tratamento com os outros. É o que em casa te querem ensinar, especialmente ao teres que confrontar seres humanos que nada têm a ver com a nossa relação familiar, mas sim com esse vai e vem que o povo usa para criticar, obedecer à ordem social e à disciplina no tratamento simpático entre vizinhos. É o que se quer ensinar no 2º e 3º ciclo das escolas e se denomina de análise de gestão política nas Faculdades da Ciência do Direito.
Na época denominada do Absolutismo, durante séculos da nossa era, pensou-se que o poder era do Rei e as propriedades reprodutivas, do seu domínio, a ser usado apenas pelos seus delegados, como referi já num outro texto deste jornal nesse mês de Setembro que a todos nos faz estremecer: morte organizada do Presidente Allende do Chile de 1973, esse Presidente Social-democrata Menchevique, o mesmo é dizer, a lutar pela Igualdade manifestada em votos e não em assembleias Bolcheviques, pregada pelo Manifesto dos Plebeus de Gracchus Babeuf escrito no revolucionário Paris de 1788, quer pelas guerras começadas como retaliação dos ataques aos centros políticos e económicos dos EUA, a 11 de Setembro de 2001. Guerra que começa entre Oriente e Ocidente e não parece querer parar, incluindo a Faixa de Gaza dos dias mais recentes.
Charles Secondat de Montesquieu, em 1758, no seu De l´Esprit des lois, fez-nos pensar que o poder não reside apenas numa pessoa, mas sim no conjunto delas, separadas em corpos constituintes da conduta pública e eleitos pelo povo, para o povo e a pertencer ao povo. Espírito das leis mal-entendido pelas gerações vindouras, que apenas distinguem as palavras Poder Executivo, Legislativo e Judicial. Mal-entendida, porque a palavra poder é temida. Arrepia o conceito, a ação, a hierarquia. Arrepia, sem a base do Manifesto dos Plebeus de Babeuf. Foi preciso organizar o que se denomina uma Constituição Política, para definir e separar as habilidades, mandos, hierarquias das pessoas sentadas na cadeira do dito poder e autoridade.
Aconteceu em Espanha desde 1975, aconteceu em Portugal a partir de 1974, aconteceu no Chile desde 1991. Descalços, a pisar a terra do clã Picunche da Nação Mapuche do Chile e Argentina, perto do sítio do meu trabalho de campo, os jornaleiros Pinochet da vila denominada Chanco, fabricavam queijos e criavam gado para subsistir. Outras alternativas para ganhar a vida, eram pouco simpáticas: ou Seminário, ou Forças Armadas, ficando dentro dos quartéis a seguir o cumprimento do Serviço Militar. A mãe autoritária, escolhe Forças Armadas para um deles, cultiva relações para além da sua classe social, choraminga, seduz e faz do escolhido, um ditador. Que aprende a trair, a calçar sapatos e vestir farda e gravata, uma apenas, a da farda do colégio onde estuda por caridade da aristocracia do País, gente de bem que ele aprende a odiar, enquanto nunca aprende conteúdos. Mas sim, aritmética e ele e a sua assimilada Picunche mulher Hiriart, são apoiados pelos investidores dentro do poder nos anos 70 do Século XX e desapoiados a seguir pelos homens sábios, os que sabem ganhar o prémio Nobel da Paz, no dia que se sabe do desfalco de milhares de dólares contra os governantes do mundo, o Governo dos EUA. Vá a cadeia essa Trindade, Pai, Mãe, Filho Picunche, os seus dinheiros são congelados e devem ser mantidos em prisão ou voltarem a Chanco para fabricar queijos. Técnica esquecida ou desconhecida desta trilogia e dos seus parentes.
Jamais esquecerei. Morávamos na Grã-Bretanha e fomos ver o que aconteceria com Allende. O Pinocho o matou. Depois de ter morto milhares durante anos, como nos anos 50 do Século XX em Portugal e Espanha. A 18 de Setembro, sete dias a seguir o assassinato do Senhor Presidente socialista menchevique, eu desapareço dentro de um campo de concentração para mal da nossa filha mais velha, que costumava ver a telenovela Missão Impossível. No dia em que me torna a ver, meses depois, diz com uma tristeza que até ao dia de hoje perdura: já podes tira a máscara, tu não és o meu pai, a esse o mataram os militares, Tu és outra pessoa vestido como o meu pai costumava calçar ou os seus fatos, ou de forma mais desportiva, se ia morar em casa de trabalhadores.
O exílio, esse castigo que devia acontecer com a Santíssima Trindade de Chanco, compensaria talvez o milhão que andamos pelo mundo perdidos e sós, aos milhares de desaparecidos, factos de absolutismo acabado 1791. A Trindade treme. Nós, ficamos contentes do medo que têm….e que, estou certo, deve durar ainda muito mais que estes 33 anos de perseguições que levamos, das famílias desfeitas, dos natais separados, destas quadra que, sendo alegres a falarem entre eles línguas diferentes, a serem desprezados pelos seus consanguíneos…Jamais esquecerei. Estas ideias e factos e os que não narro para esquecer, fazem do nosso Natal uma imensa solidão. Ideias todas para desenhar um curso de vida cívica, solidário e alegre, a base para ensinar Educação Cívica a toda a população, sem andar a correr atrás dos salvadores do mundo, como acontece entre nós, desde Fátima às eleições que advirão em breve.
Um país em pé de guerra, não tem consoada, não pode, não há meios, retirados de nós pelo governo que, estou certo, deve cair a todo minuto, com dívidas impossíveis de pagar adquiridas para enriquecer financistas, enquanto o povo caminha milhas por falta de numerário para pagar suas deslocações, no meio de outras greves que justificam essa corrida aos sítios de trabalho. A educação cívica não pode ser pensada em meio de exploradores. Uma sopa de pão com coentros será a consoada deste triste Natal…
