Ethel Feldman Vida
(Adão Cruz)
Entre a mesa e a janela, mora teimosa uma parede amarela.
Procuro o ponto de fuga.
Desenho o luar em cada noite escura.
Despeço-me do sol.
Na monotonia do amarelo, deito-me e sonho
com o mar que caminha para a montanha,
até que a terra encontre o céu e o azul tome conta da cor.
Descubro no gesto o sentido.
Entre a mesa e a janela, da minha casa
Mora teimosa uma parede amarela
Cansada, debotada na cor,
Delicada, encosto meu corpo
Apoio no ombro a vontade de ser
Abro a janela, abraço a liberdade.
No horizonte, vislumbro
a natureza da vida.



Gostei muito do teu poema, Ethel . O Adão que tem esta mão para as cores e o Debussy , com um pai marinheiro que lhe meteu o mar pela música dentro, enquadraram-to bem.
Obrigada, Augusta. É sempre preciosa a tua ajuda.beijoEthel