AJUDAR UMA FAMÍLIA COM DIFICULDADES por Clara Castilho

 

 

 

 

 

 

 

O Pedro é um menino de 5 anos, filho único. Os pais têm horários de trabalho alargados, contando com o apoio muito presente dos avós maternos. Quando ingressou no Jardim de Infância, aos 4 anos, nunca se adaptou, horando muito, fazendo birras e querendo ficar com os avós. Este ano, com 5 anos, voltou a acontecer o mesmo, e só o frequenta da parte da manhã, pois vai para casa à hora do almoço.

Com tão pouca frequência, em simultâneo com pouca estimulação em casa, o Pedro ainda não adquiriu determinadas competências que são habituais nesta idade. O seu desenho é elementar, a capacidade para se organizar no espaço e no tempo está distorcida, os requisitos para as aprendizagens que se aproximam, com a integração no 1º ano do ensino básico, são rudimentares, pelo que se prevê uma evolução com dificuldades.

É uma criança difícil de obedecer, tipo “quero, posso e mando”, com dificuldade em aceitar a sua vez de falar ou de brincar. Os conflitos com os colegas são frequentes. Ora chora e se queixa, no papel de vítima, ora agride. Quando a criança faz queixas aos pais, estes vêm ao Jardim de Infância, “pedir explicações”, aceitando, num primeiro momento, que o filho tem razão e pondo-o ao mesmo nível dos adultos.

Ao tentar compreender estes comportamentos, os pais acabam por relatar o dia-a-dia em casa, onde percebemos que a criança “põe e dispõe”. Cedem às birras para se ir deitar, cedem aos apetites para o jantar, cedem na compra de doces e brinquedos, com medo das vergonhas das cenas nas lojas.

 

É necessário que esta criança possa retomar o seu “papel” de criança, possa desenvolver as suas potencialidades, dirigindo-as para as aprendizagens que se aproximam e uma mudança de atitude por parte dos pais e familiares, para que fique claro a diferença de gerações, a diferença de sexos, a necessidade de corresponderem ao que uma criança de 5 anos precisa para se desenvolver de uma forma harmoniosa.

Ao Jardim de Infância, e futuramente a escola, caberá desempenhar a primeira parte deste projecto para esta criança. Mas não compete aos educadores e professores a segunda. Situações como esta exigem ajuda aos pais, numa perspectiva de promoção das suas competências parentais. Num contexto não estigmatizante, com pares com problemas idênticos, poderão reflectir sobre as suas práticas enquanto pais e as suas consequências no desenvolvimento do seu filho, a nível pessoal, escolar e social. Mais do que receberem “receitas” de como fazer, necessitam reflectir nas suas dificuldades e vislumbrar formas de as ultrapassar. É um trabalho desafiante e que sempre nos espanta pela necessidade que têm em conversar e de se ultrapassarem. É um trabalho de muita responsabilidade mas também por vezes muito divertido em que se vem mais tarde para a própria vida familiar (estas sessões têm que ser feitas em horas extra-laborais) mas com o sentimento de que os pais vão mais aliviados e com coisas para pensarem e tentarem encontrar um caminho mais saudável de convivência familiar.

 

 

 

1 Comment

  1. Olá ClaraPenso que não fui um mau pai, tendo em consideração o que escreves, mas seria melhor se tivesse tido a oportunidade de contigo dialogar quando o meu filho era uma criança. Agora, aproxima-se a data em que ele fará de mim avô e os teus escritos poderão ser-lhe úteis. Continua.Um beijo e até breve.António

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