LIVROS PROIBIDOS NOS ÚLTIMOS TEMPOS DA DITADURA- 3 – por José Brandão

 

 

Hoje é difícil escolher um livro para comentar. O Amante de Lady Chatterley, de D. H. Lawrence, seria a escolha óbvia se

estivéssemos a falar de literatura. Porém, o que aqui importa salientar é a vertente da repressão política exercida pela PIDE/DGS. Neste caso, no dos Amantes e Libertinos, de Charles Dalton, ou no de Amor e Felicidade no Casamento, de Fritz Khan, o sinistro braço repressivo do regime actuou como polícia de costumes. Outra tentação seria a serena e pedagógica Alocução aos Socialistas, de António Sérgio. O ensaio de Vergílio Ferreira sobre André Malraux – Interrogação ao Destino, André Malraux – seria outra hipótese interessante. O estudo de Mário Ventura, Alentejo Desencantado ou o livro de José Magalhães Godinho, Ano de Eleições, referindo-se a 1973, seriam talvez os escolhidos. Mas preferimos gastar o espaço definido para este comentário chamando a vossa atenção para dez livros que o público português foi impedido de ler – por motivos políticos ou de falso moralismo, como é o caso de O Amante de Lady Chatterley. Impedir a leitura de uma obra capital da literatura europeia ou de uma análise, como a de Vergílio Ferreira, centrada em A Condição Humana, foi uma violência inaudita, uma mutilação. Nem só de violência física se fez a repressão do Estado Novo.

 

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