LIVROS PROIBIDOS NOS ÚLTIMOS TEMPOS DA DITADURA – 5 – por José Brandão

 

Era de apreensão assegurada “O Assalto ao Santa Maria”, livro de Henrique Galvão, comandante desta

acção armada levada a cabo por portugueses e galegos – 20 elementos do DRIL (Directório Revolucionário Ibérico de Libertação). Foi no dia 22 de Janeiro de 1961 e, como se sabe, seria apenas a primeira das “contrariedades” sofridas por Salazar e pelos seus partidários nesse verdadeiro annus horribilis para a ditadura – perda do Estado Português da Índia, começo da Guerra Colonial, desvio por Palma Inácio de um avião da TAP… Apreensão assegurada que nem sempre significava prejuízo para o editor – os livreiros antifascistas vendiam os livros proibidos «por baixo do balcão», era a expressão usada. E, salvo uma ou outra excepção, não especulavam com os preços – estas preciosidades furtadas às garras da PIDE eram vendidas ao preço de capa.

 

Há outros casos dignos de referência nesta lista de dez obras – os livros de Fiama Hasse Pais Brandão e de Papiniano Carlos. O “Auto da Família”, que Luís Miguel Cintra encenaria no seu Teatro da Cornucópia e os belos poemas de Papiniano Carlos, bem como as ficções de dois grandes autores italianos – Alberto Moravia e Italo Calvino. José Vilhena viu mais um livro seu apreendido – “Avelina”. Enfim, malhas que o império tecia – a polícia política apreendia tudo o que lhe parecesse susceptível de abrir consciências. Salazar, Caetano e sequazes, tentavam o impossível – deter o tempo. 

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