Seguindo a ordem alfabética dos livros proibidos pela censura do Estado Novo nos últimos tempos da sua vigência, nomeadamente no consulado de Marcelo Caetano, encontramos livros cuja proibição era previsível – o caso do ensaio de Engels sobre a actividade dos anarquistas, ou o de A. Abreu sobre a repressão no País Basco. outros, como o de Reinaldo Ferreira, filho do famoso Repórter X, ou o Sartre sobre Baudelaire, eram proibições induzidas por livros anteriores. O romance de Alves Redol, nova edição da obra lançada em 1958, A Barca dos Sete Lemes, fazia parte do lote de mais de vinte títulos e setenta e tal mil exemplares que a polícia apreendeu à Europa-América, procurando arruinar a editora.
Pela mesma época, numa rusga feita à Minotauro, na Rua D. Estefânia, em Lisboa, detendo o editor, Bruno da Ponte, a brigada da PIDE, mandou toda a gente sair, um agente abriu as torneiras das casas de banho, após o que selou as portas. Quando a água começou a chegar à rua e os vizinhos deram o alarme, a políicia autorizou os bombeiros a entrar. Toda a existência em armazém, milhares e milhares de volumes, estava inutilizada. A Minotauro cessou a actividade.
Nesta lista temos ainda um «cliente» crónico – José Vilhena, com mais um álbum posto fora de circulação. E referimos também Fiama Hasse Pais Brandão – Barcas Novas. Todos sabemos porquê, mas recordamos aqui «o motivo» na voz de Adriano Correia de Oliveira:

