A GRANDE POESIA – “Se as minhas mãos pudessem desfolhar” – Federico García Lorca

 

 

Um Café na Internet

 

 

 

                                         (Quadro de Vladimir Kush)

 

 

Federico García Lorca

 

Se as minhas mãos pudessem desfolhar

 

 

Pronuncio o teu nome
nas noites escuras,
quando os astros vêm
beber na lua
e dormem os ramos
dos troncos ocultos.
E  sinto-me oco
de paixão e de música.
Louco relógio que canta
mortas horas antigas.

Pronuncio o teu nome,
nesta noite escura,
e o teu nome soa-me
mais distante que nunca.
Mais distante que todas as estrelas
e mais dolente que a mansa chuva.

Amar-te-ei como então
alguma vez? Que culpa
tem o meu coração?
Se a névoa se esfuma,
que outra paixão me espera?
Será tranquila e pura?
Se os meus dedos pudessem
desfolhar a lua!

 

 

 

Si mis manos pudieran deshojar

 

Yo pronuncio tu nombre
en las noches oscuras,
cuando vienen los astros
a beber en la luna
y duermen los ramajes
de las frondas ocultas.
Y yo me siento hueco
de pasión y de música.
Loco reloj que canta
muertas horas antiguas.

Yo pronuncio tu nombre,
en esta noche oscura,
y tu nombre me suena
más lejano que nunca.
Más lejano que todas las estrellas
y más doliente que la mansa lluvia.

¿Te querré como entonces
alguna vez? ¿Qué culpa
tiene mi corazón?
Si la niebla se esfuma,
¿qué otra pasión me espera?
¿Será tranquila y pura?
¡¡Si mis dedos pudieran
deshojar a la luna!!

 

 

Federico García Lorca  (Fuente de Vaqueros, 5 de Junho de 1898 – Granada, 19 de Agosto de 1936), poeta e dramaturgo andaluz, fuzilado pelos falangistas. É considerado um dos maiores poetas do século XX.

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