LIVROS PROIBIDOS NOS ÚLTIMOS TEMPOS DA DITADURA – 8 – por José Brandão

 

 

 

 

Este conjunto de dez livros proibidos confirma o que temos dito – o critério da polícia era tortuoso e revelava a falta de preparação cultural de quem dirigia este sector da máquina repressiva do Estado Novo. Mas são proibições «normais» – não podia esperar-se que um romance como Capitães da Areia, de Jorge Amado passasse despercebido. Dórdio Guimarães, Vergílio Ferreira ou Fiama Hasse Pais Brandão, eram nomes da «lista negra». Mas há aqui nesta lista três livros de uma editora artesanal que funcionava em Tomar e era conduzida por três sócios – Carlos Loures, Júlio Estudante e Manuel Simões – o primeiro livro editado foi precisamente Cantares, de José Afonso. Os donos da Nova Realidade sabiam que os livros iam ser proibidos e os exemplares eram devidamente armazenados – a PIDE apreendia alguns e os outros vendiam-se (sem especulações). Umas centenas de assinantes a quem os livros eram enviados à cobrança antes de ser postos à venda na rede livreira, garantiam os custos. A partir de certa altura, todos os livros da Nova Realidade eram apreendidos.

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