
As proibições patentes no quadro que hoje apresentamos não surpreendem – inscrevem-se dentro da lógica de um regime que nunca teve uma política cultural própria, a não ser no período em que António Ferro esteve à frente do sector da propaganda do Estado Novo – a Revista Panorama, o grupo de bailado do Verde Gaio, a Emissora Nacional, museus, teatros, grandes exposições – Ferro articulou uma estrutura cultural relativamente consistente. Mas Salazar sentia-se incomodado com todas essas novidades – Ferro defendia pintores, poetas, romancistas que Salazar não compreendia.
A política cultural do Estado Novo consistia principalmente em impedir a cultura, considerando as ideias como inimigas. Na realidade, entre artistas e homens de letras os apoiantes do regime eram em escasso número. E Caetano, um homem mais evoluído culturalmente, não conseguiu modificar substancialmente as coisas.
Neste quadro, salta à vista o livro sobre a Capela do Rato – O Caso da Capela do Rato no Supremo Tribunal Administrativo, com várias intervenções, mas onde se destaca o parecer de Salgado Zenha.

