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Esta extensa citação da Escola da Etnopsicologia francesa na que trabalhamos juntos com Georges Devereux, na Maison de Sciences de l´homme, comenta-se por si só., apesar de tanto autor me ter obrigado a entregar estes elementos para saber e lembrar o argumento da procriação e criação de pequenos e dar assim bases analíticas aos leitores. É preciso lembrar apenas três pontos: o primeiro, é que esta é uma, citação do texto da Associação Géza Róheim[2], que define a fundação da Etnopsicologia – atribuída também ao Húngaro Róheim, mas que a História entrega e atribui ao alemão Emil Kraepelin (5 de Fevereiro de 1856 – 7 de Outubro de 1926), por causa dos seus estudos de método comparado entre europeus de diversos grupos sociais, e os nativos de Java com os artefactos da sua cultura reunidos no Museu que orientava em Hamburgo, e cujas viagens à Índia tiveram por objectivo comparar os conceitos fundados sobre Esquizofrenia e Mania Depressiva, com doenças dos nativos de Java no asilo[3] gerido pelos holandeses.
Os seus primeiros textos contextualizam culturas e delimitam a influência que as formas de comportamento normativo social exercem sobre as, nesse tempo, denominadas demências: a forma cultural ensina que não há alcoolismo, mas sim epilepsia, causada pela traição da mulher amada, ou ver o sangue à morte de uma pessoa querida, ou, ainda, ver derramar sangue dos seus consanguíneos ou o facto de entidades míticas denominadas l’amok e le latah, entidades culturais legendárias a agir entre o povo, facto perante o qual se reage, como descreve Gilmore Ellis no The Journal of Mental Science.
Doenças que são comportamentos, estudados e descritas por Kraepelin e que Gilmore Ellis analisa na referida revistam: “A ideia que insanidade é rara entre os povos primitivos e que ela tende a aumentar em proporção ao processo civilizatório surgiu pela primeira vez no século XIX. Psiquiatras importantes daquela época defenderam a ideia que existiria uma íntima relação entre civilização e doença mental. A ideia do “bom selvagem”, proposta pelo filósofo e reformador francês Russeau, ainda era forte. Começaram a descobrir doenças mentais que eram restritas a povos primitivos, tais como o amok e o latah, entre os nativos de Java; koro, entre os chineses em Java; o myriath, na Sibéria, pilokto entre os esquimós, etc.
Assim, nasceu uma nova abordagem, a assim chamada “psiquiatria cultural do exótico”, a qual evoluiu até o presente conceito de síndrome delimitada pela cultura ( “culture-delimited syndrome”) Pela primeira vez, o pensamento psiquiátrico buscava fora do seu berço de nascimento uma prova para o valor universal de suas categorias de doença mental. O grande psiquiatra Emil Kraepelin foi um dos primeiros a fazer extensas viagens ao Oriente e examinar pacientes psicóticos entre povos primitivos, tais como na ilha de Java.[4]. O conceito de síndrome culturalmente limitado é central para o entendimento de não termos doentes mentais, mas sim uma relação entre pessoas, etnocentrismo e a sua cultura, com o perigo do afastamento das definições comandadas pela prática e a tradição
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[2] Róheim, Géza, 1950 : Psychanalyse et anthropologie. Culture – Personnalité – Inconscient, Payot. Website com texto on-line: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&ie=UTF-8&q=Association+G%C3%A9za+R%C3%B3heim&btnG=Pesquisa+Google&meta= terapeuta húngaro exilado nos Estados Unidos a seguir pesquisa na Austrália e Nova Guiné em 1919, no texto informático organizado por mim, inclui um texto de 2002 de Elizabeth Rudinesco e Michel Plon de 1999, “Ethnopsychanalyse: Esquisse d’un roman familial, Parties I e II, reproduzido na Revista L’Autre-Cliniques, cultures et sociétés, Paris, 2002, Vol. 3, Nº2, referem a dúvida do fundador das análises organicistas ou de Etnopsicologia: se Róheim ou Emil Kraepelin, germânico de Leipzig do Século XIX, organizador e descobridor dos conceitos Esquizofrenia e Mania Depressiva ao usar o método comparativo em psiquiatria, usa o método comparativo, base da Ciência da Antropologia. Conclue que entre europeus e nativos de Java em 1881: “la proximité de la nature protégeait encore la raison humaine dés méfaits de la civilisation, le “primitif”, le naturel, devait inévitablement avoir été épargné par les troubles de l’esprit” http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&ie=UTF-8&q=Emil+Kraepelin+Java&btnG=Pesquisar&meta= para bibliografia e debate: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&ie=UTF-8&q=Emil+Kraepelin+&btnG=Pesquisar&meta= Publicaciones e debates: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&ie=UTF-8&q=Emil+Kraepelin+Publications&btnG=Pesquisar&
