Mas, embora pudéssemos fazer outras escolhas, faremos menção especial à obra de Frantz Fanon, Os Condenados da Terra. A obra de Fanon foi extremamente importante para que se compreendesse na Europa, nas metrópoles colonizadoras, os mecanismos perversos do colonialismo e as disfunções que ele provocava nas sociedades colonizadas. Para muitos portugueses foi a chave para descodificar as razões profundas de uma guerra que se desenrolava em três frentes e consumia vidas e meios. Um dos livros mais importantes que se publicaram por essa conturbada época. A proibição não impediu que se comprasse em edições estrangeiras e que o que escapou da edição portuguesa circulasse de mão em mão.
LIVROS PROIBIDOS NOS ÚLTIMOS TEMPOS DA DITADURA- 14 – por José Brandão
Explicada a lógica tortuosa dos critérios com que a polícia política procedia à apreensão de livros, dir-se-ia que os dez títulos que figuram no quadro acima dispensam, uns mais do que outros, qualquer explicação. Como se disse já, os critérios editoriais de pequenas casas, principalmente, era ditado pela irracionalidade policial, sendo eles, por seu turno, muitas vezes irracionais – publicando apenas porque ia ser proibido. A D. Quixote, que não seria uma editora de «vão de escada», reflecte esse oportunismo no título que dá à antologia de contos – se quisesse passar despercebida, poria Contistas Chineses – especificando que se tratava de «Contistas da China Popular», fazia apelo à atenção dos oposicionistas, muitos dos quais admiravam a China de Mao Tse Tung.

