Tu, moribunda – Maria Inês Aguiar

 

 

 

Maria Inês Aguiar  Tu, moribunda

 

 

 

(Adão Cruz)

 

 

goteja teu corpo gotas fétidas dos que dele fizeram cama
geme o teu corpo o
pútrido que dele emana
soluça o teu corpo o agravo com rosto e no gáudio dos
detritos
sucumbe o teu corpo hospedeiro de conflitos
separa-se teu corpo
do rosto e deixas de ser quem eras
e sempre que uma ferida sangrar pintarás
uma tela de sangue
olharás teu corpo exangue e terás pena de ti
o corpo
teu que fecunda, o cheiro de ti moribunda! 

 

 

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