A GRANDE POESIA – “Das frondes dos salgueiros” – de Salvatore Quasímodo

 

Um Café na Internet

 

 

  

 

                                                                 Quadro de Vladimir Kush

 

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Salvatore Quasímodo 

 

Das frondes dos salgueiros

 

E como podíamos nós cantar

com o pé estrangeiro sobre o coração,

entre os mortos abandonados nas praças

sobre a erva dura de gelo, ao lamento

balido das crianças, ao uivo negro

da mãe que ia ao encontro do filho

crucificado no poste do telégrafo?

Das frondes dos salgueiros, como ex-votos,

também as nossas cítaras pendiam,

oscilavam leves ao triste vento.

 

(Tradução de Manuel Simões)

 

 

Salvatore Quasímodo

 

 

Alle fronde dei salici

 

 

E come potevamo noi cantare

con il piede straniero sopra il cuore,

fra i morti abbandonati nelle piazze

sull’erba dura di ghiaccio, al lamento

d’agnello dei fanciulli, all’urlo nero

della madre che andava incontro al figlio

crocifisso sul palo del telegrafo?

Alle fronde dei salici, per voto,

anche le nostre cetre erano appese,

oscillavano lievi al triste vento.

 

(de Giorno dopo giorno, 1947)

 

Salvatore Quasímodo (Ragusa 1901 – Nápoles 1968) foi um dos maiores poetas italianos do século XX. Obteve o Prémio Nobel para a Literatura em 1959.

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