O Banco Mundial emite um aviso de tempestade a nível mundial. Por Alan Faujas, Le Monde.

 

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota.

 

O Banco Mundial reviu à baixa as suas previsões de crescimento à escala mundial e emite um aviso de tempestade para que cada um se prepare para o pior, mesmo que esse cenário não é que ele encara neste momento como o mais provável para o momento presente. No seu relatório sobre “as perspectivas para a economia global”, publicado esta quarta-feira, 18 de Janeiro, a instituição prevê um crescimento de 2,5% em 2012 – enquanto em Junho passado admitia um crescimento de + 3,6% para 2012 e de + 3,1% em 2013.


Esse “arrefecimento” deveria ser mais marcado nos países desenvolvidos: estes terão um crescimento de 1,4% em 2012, em comparação com + 2,7% previstos anteriormente, principalmente devido à recessão na zona da Euro (0,3%). A subida seria então de 2% em 2013 (contra + 2,6% previstos antes).


ESGOTADAS AS RESERVAS ORÇAMENTAIS


As causas deste abrandamento económico? Em primeiro lugar, os países ricos não conseguem sair do lamaçal dos défices e das dívidas. Os Estados Unidos e o Japão parecem ser iniciados a retoma económica mas ainda não começaram a sanear as suas contas públicas. Quanto à zona euro, esta está a assustar o mundo devido à sua incapacidade em tomar, a tempo e horas as medidas necessárias e que se impõem para voltar a que se nela os investidores voltem a ter confiança na capacidade em responder aos seus compromissos.


O abrandamento dos países em desenvolvimento, em especial da China, da Índia e do Brasil, explica-se mais, segundo o relatório pelas medidas tomadas pelos seus governos no início de 2011 para arrefecerem as suas respectivas economias, ameaçadas de uma forte aumento de inflação.


“O que é reconfortante, é que nestes países ainda não se constata um forte travão na economia real “diz Andrew Burns, director para as questões macroeconómicas do Banco Mundial e principal autor do relatório. O que é preocupante, no entanto, é que os países ricos e os países em desenvolvimento tenham esgotado as reservas orçamentais necessárias para contrabalançarem o agravamento da situação. A crise, que desta situação resultar poderá será mais longa e mais grave do que a de 2008 “.

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

RESISTÊNCIA AFRICANA


Os canais de transmissão desta crise são muitos. Os efeitos negativos da redução do ritmo de crescimento do comércio internacional (+ 12,4% em 2010, + 6,6% em 2011 e + 4,7% em 2012) deverá tanto mais desequilibrar  as balanças comerciais quanto os preços das matérias-primas têm descido acentuadamente desde o seu pico no primeiro semestre de 2011: a descida foi -10% para os produtos energéticos, -25% para os minérios e metais e – 19% para produtos agrícolas.


Por outro lado, o fluxo de capitais para as economias em desenvolvimento desceu de 309 mil milhões no último semestre de 2010 para 170 mil milhões no último semestre de 2011. Esta escassez ir-se-á acrescentar à redução de aproximadamente 6% das remessas de emigrantes para os seus países de origem.


Os governos poderiam ser levados a fazer grandes cortes nos seus orçamentos, o que pode conduzir a um círculo vicioso que poderá afectar gravemente a procura interna.


O quadro recessivo não irá atingir as regiões do mundo da mesma maneira. As mais ameaçadas serão as economias da Europa Central e da Ásia Central, porque estas duas regiões estão muito dependentes dos bancos da Europa Ocidental que poderiam estar tentados a repatriar os seus investimentos para se consolidarem.


Em situação inversa está a África Subsariana que deverá fazer prova de uma resistência real com um crescimento de 6% (excluindo a África do Sul), porque os investidores consideram-na mais como uma terra de oportunidades.


Para afrontar estes riscos, o Banco Mundial parece ter poucas soluções a sugerir, que não sejam as de bom senso. “Que os países em desenvolvimento cuidadosamente monitorizem atentamente os diferentes canais através dos quais a crise os pode vir a afectar, aconselha Andrew Burns. Que parem com as prioridades orçamentais para o caso em que, a fim de contrabalançar os seus efeitos, privilegiem particularmente as linhas de segurança social para as populações e as infra-estrutura previamente necessárias para a retoma. “E que verifiquem se o seu sistema bancário resistirá a uma nova crise de confiança”.


Alain Faujas, Le Monde.

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