Iniciamos hoje a transcrição de algumas partes dos textos inseridos em “O Dicionário de Educadores Portugueses”que teve a direcção de António Nóvoa. “Reúne 900 biografias de homens e mulheres que se dedicaram ao ensino e à educação nos séculos XIX e XX. Para além de professores e pedagogos conhecidos, o dicionário apresenta o percurso de vida, as práticas e as ideias de muitos outros autores com intervenção política, intelectual, social e profissional no campo educativo”, diz-nos a apresentação da obra, editada pela ASA, com 1474 páginas, em 2003.
Dos 900, a opção começou por ser a de pessoas com intervenção sobretudo na 2ª metade do século XX, mas, continuando a ser muitos….o que ficou é evidentemente muito subjectivo.
MARIA ARCHER
Diz-nos o “Dicionário” que Maria Emília Archer (1905-1982) viveu em jovem em Moçambique, Guiné e Angola. Mais tarde viu-se obrigada a procurar no Brasil os meios de subsistência, voltando a Portugal depois do 25 de Abril. Reconhecendo que a sua obra não tem relevância directa para as questões educativas, consideram os autores que a deveriam incluir neste conjunto devido ao seu trabalho na área da literatura para a infância e juventude e aos seus estudos antropológicos, “para os quais António Sérgio chamou a atenção de Gilberto Freire que aceitou prefaciar o livro “Herança Lusíada”: “A portuguesa Maria Archer poderia ser hoje em língua portuguesa uma espécie do que a anglo-americana Margaret Mead é em língua inglesa, se ao talento literário juntasse formação científica em antropologia e sociologia.”
O site do Instituto Camões acrescenta-nos mais alguma informação. Diz-nos que “acompanhou, de perto, o julgamento do contestador da ditadura salazarista, capitão Henrique Carlos Galvão no Tribunal Militar de Santa Clara. Tendo-se proposto escrever um livro sobre o mesmo, vira a sua casa invadida pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) logo após o final do julgamento, em 1953. Viria a publicá-lo em 1959, no Brasil, sob o título Os Últimos Dias do Fascismo Português.”
O blogue http://olhodaletra.blogspot.com/ diz-nos que o” seu romance Casa Sem Pão (1947) é também apreendido pela Censura. (…) Filiada no Movimento de Unidade Democrática desde 1945, é alvo de perseguições que se intensificam após ter feito a reportagem do julgamento de Humberto Delgado em 1952. Em 1954, exila-se no Brasil, onde publica várias obras de divulgação colonialista (muito embora críticas do regime salazarista), merecendo este filão da sua obra o elogio de, entre outros, Gilberto Freyre. A autora volta a Portugal em 1977, doente e na mais completa destituição, acabando os seus dias num asilo” (Mansão de Santa Maria de Marvila, 23 de Janeiro de 1982).




