Claro que publicar livros como a Evolução do Marxismo Militante, de Sousa C. Cristóvão, ou o de Álvaro Padrão, A Experiência Revolucionária da China Socialista eram actos de coragem desesperada, embora se soubesse que os livros, mais tarde ou mais cedo, eram apreendidos.Um livro que foi falado foi A Feira das Vaidades, conjunto de crónicas que o jornalista Artur Portela Filho publicara no Diário de Lisboa sob o título emprestado pelo escritor inglês William Makepeace Thackeray Vanity Fair. No jornal as crónicas tinham passado, com os habituais cortes, mas em livro assumiam para os censores um aspecto mais perigoso. Os Exorcismos de Jorge de Sena, colectânea de poemas que mandou do seu exílio em Santa Bárbara, nos Estados Unidos, em 1972, mereceram também a atenção da PIDE, que nessa altura já fora crismada como DGS.

