Selecção e tradução por Júlio Marques Mota.
P. S & P é acusado de estar a assoprar nas brasas ao tomar esta decisão no Conselho Europeu de 8 quinta-feira e sexta-feira, 9 de Dezembro. O calendário não está adequado?
R. Nós não somos sinistros, não somos como os Père Fouettard. Quisemos indicar um gesto forte para sinalizar a gravidade da crise que afecta a área do euro, quisemos sublinhar de forma bem clara os desafios que enfrenta a União Monetária, principalmente.. Nós não somos comentadores sociais, não reagimos de modo irreflectido, antes e depois de cada Conselho Europeu: nós fazemos análises de fundo e reagimos de forma muito cuidadosa. Esta crise começou em 2008 muito antes portanto de se acelerar no início de 2011. No entanto, desde Junho, os mercados parecem estarem-se a fechar sobre as necessidades de refinanciamento de todos os Estados-membros da zona euro. Em graus diversos, todos suscitam a desconfiança dos investidores internacionais importantes. Seis meses mais tarde, o estado de alerta permanece elevado.
P. Nestes últimos dez dias, o rendimento das obrigações contudo baixou e permanece historicamente baixo para a Alemanha ou para a França.
R. As taxas de empréstimo continuam muito baixas para a Alemanha, baixas para a França. Mas o aumento das taxas de juro reflecte um factor mais fundamental: mostra a crescente desconfiança dos mercados. Isso reflecte as preocupações mais fundamentais E é por isso que nós avaliamos sempre as perspectivas de médio prazo e distinguimos certos riscos.
Primeiramente, as perspectivas de crescimento muito fracas podem modificar a trajectória da dívida pública a médio prazo. Em seguida, os bancos europeus terão de se confrontar com necessidades de financiamento externo no início de 2012 o que poderá pesar fortemente sobre a dívida pública se estes tiverem de recorrer à ajuda dos Estados. Finalmente, uma terceira variável é enfim examinada: a flexibilidade monetária.
Há enorme pressão sobre o Banco Central Europeu [BCE], para o forçarem a intervir ainda mais. Ora, a sua resposta parece ser para já: não podemos nos comprometer de forma muito forte a apoiar os Estados sem garantias concretas e credíveis quanto às estratégias de médio prazo. O Banco Central Europeu quer estar seguro, e com razão, de que não exonera os Estados das suas responsabilidades.
Parece estar a pretender uma intervenção maior do BCE?
Nós verificamos exactamente que nos Estados Unidos e no Reino Unido, os bancos centrais dão provas evidentes de uma maior flexibilidade monetária. Ora, entre os critérios da metodologia para avaliar um Estado, nós temos sempre em conta a flexibilidade monetária que é no momento bastante limitada… Nos media e não só diferenciam-se habitualmente os países que podem ser degradados num nível, como a Alemanha e os que estão em risco de um declínio em dois ou mais níveis, como a França.
Nós estamos interessados nas perspectivas de médio prazo e nos resultados económicos de longo prazo. Relativamente à França, nós temos frequentemente comentado a degradação do seu comércio exterior: pelo lado das exportações, os maus resultados são claros e duradouros. Além disso, as necessidades de refinanciamento dos bancos franceses nos próximos 18 meses são muito elevadas. Nós também temos grande dificuldade em aceitar as previsões governamentais quando este as assenta sobre uma taxa de crescimento à volta dos 2% no período de 2013-2016.
P. S & P não estará a ultrapassar as suas funções l fazendo recomendações políticas?
R. Nós não dizemos que é necessário cortar nesta ou naquela despesa, isto é da competência e responsabilidade de cada governo. Há sempre várias formas de reduzir os défices. Mas nós temos uma mensagem: a zona euro não poderá continuar a funcionar eficazmente sem uma harmonização crescente da política fiscal.
P- Compreendem as críticas feitas sobre o poder das agências de rating?
R. Nós estabelecemos diagnósticos prospectivos, nós não prescrevemos, nós somos sobretudo indicadores, guias. As agências não se concederam a si-mesmas um poder, isso são as disposições regulamentares que fazem referência às notações.. Além disso, a nossa legitimidade resulta da utilização das agências que é feita pelos investidores. Se estes consideram que as notas não são fiáveis, eles desinteressar-se-ão e é a nossa credibilidade que se desmoronaria.
Declarações recolhidas por Clément Lacombe

