Hoje celebra-se o dia nacional de Angola e os argonautas saúdam os irmãos angolanos. Em artigo próprio, referimos a efeméride – o assalto às prisões de Luanda, em 4 de Fevereiro de 1961.
Sem sombra de nostalgia colonialista, agora que a grande nação angolana é um país independente, podemos colocar a pergunta: será que os angolanos são independentes? Com os recursos naturais que o país tem, haverá justificação para a situação de miséria em que vive grande parte do povo?
Abrimos os jornais de Luanda e vemos que a corrupção a todos os níveis (desde a marginal à institucional) se infiltrou no tecido social do País, sendo uma preocupação omnipresente. Preocupação que se manifesta de diferentes maneiras, com registos diferentes – por exemplo, o presidente José Eduardo dos Santos acaba de afirmar que todos angolanos devem estar atentos e desmascarar os oportunistas, intriguistas e demagogos que querem enganar aqueles que não têm o conhecimento da verdade».
Refere-se ao manifesto A Nova Revolução do Povo Angolano” que está a ser difundido nas redes sociais, e reproduzido em muitos jornais online dos países de língua portuguesa e acaba de ser divulgado por uma nota da Agência France-Press. “Em toda Angola, vamos marchar com cartazes exigindo a saída do Ze Du, seus ministros e companheiros corruptos”, anunciam. O acto central está marcado para o Largo da Independência, em Luanda, no dia 7 de Março».
Não temos de concordar ou discordar do governo angolano ou dos movimentos de oposição – ao povo angolano cabe a decisão sobre o seu destino. Porém, acabamos de ver o que se passou no Norte de África, com tiranias a ser derrubadas e substituídas por novas tiranias.
Num poema que aqui reproduzimos há dias, Jorge Luis Borges, diz-nos que as pedras de xadrez, dos valentes peões, à aguerrida rainha, do temeroso rei ao sibilino bispo e à truculenta torre, todas estão convencidas de poder decidir o movimento seguinte. Todavia, a mão que as move, a do xadrezista, é a que decide verdadeiramente. A metáfora borgiana alude ao poder de Deus que está por detrás do livre arbítrio dos seres humanos.
No xadrez da política e da economia internacionais, os dedos que movem as pedras – seja as negras da «tirania», seja as brancas da «libertação», têm nomes como CIA, Pentágono, Wall Street, interesses dos grandes grupos económicos internacionais… O povo irmão de Angola tem direito a ser livre e a decidir sobre o seu destino, repetimos. Talvez deva ser ajudado.
Que não seja mais uma vez «ajudado», é o que desejamos.

